Domingo, 22 de Março de 2009

380

O que é o amor? Hoje pensava sobre o amor. Aliás, pensava sobre o que poderia ser o amor. Vejo o mundo à minha volta e vejo muita gente acompanhada, muitos casais, muitos namorados, muitos cônjuges, muitos parceiros, etc. Vejo nesses mesmos "casais" muitos beijos, muitos abraços, muitas trocas de gestos, alguns olhares e algumas palavras, mas, no entanto, confesso que quanto mais vejo todas estas demonstrações de afecto mais confuso fico relativamente ao amor e aquilo que ele representa.

Uma das coisas que me faz confusão relativamente ao "amor" deve-se ao facto de ver que o mesmo indivíduo que hoje abraça a mulher, olha-a nos olhos e diz que a ama com todo o sentimentalismo do mundo, é o mesmo que amanhã está agarrado a outra, de joelhos, a pedi-la em casamento e a jurar ser dela para sempre, e no dia seguinte já está prestes a cortejar uma outra que se lhe atravesse no caminho. Simultaneamente, a mesma mulher que suspira vezes sem conta ao longo do dia pela sua alma-gémea, é a mesma que amanhã suspira por outro e que no dia a seguir enche de mensagens românticas o telemóvel de um terceiro. Repito: o que é o amor?

Olho à minha volta e vejo gente que investe rios de dinheiro no casamento de sonho com a sua cara metade, que no momento do casamento chora de emoção por ser o dia mais importante da sua vida, que suporta o acordar rabugento do/a seu/sua companheiro/a, mas ao fim de alguns anos aquela camisa às riscas não faz muito sentido, discutem, separam-se, divorciam-se, odeiam-se. Refira-se que também os há que se ficam pelo "divorciam-se".

Namoram durante anos, fazem férias juntos, passam horas e dias juntos, fazem juras de amor, compram casa juntos e juntam-se, mas num fatídico dia foi deixada uma toalha molhada em cima, e não dentro, do cesto de roupa para lavar. Discutem, separam-se.

Saem juntos, convivem, identificam-se um com o outro e sentem-se verdadeiras almas gémeas, mas aquela terceira ida a Bali dá a entender que a relação caiu numa rotina. Desmotivam-se, separam-se.

Insisto na pergunta inicial: o que é o amor?

Não me lembro de como era no passado, porque só me recordo desta vida que tenho há já alguns anitos (e em Maio completo mais um), mas tenho um sétimo sentido (dado que o sexto é a intuição e esta não se aplica ao passado, apenas ao presente e ao futuro) que me diz que antigamente tudo era diferente. Calma, afinal ainda me lembro de ver gente a insistir nas relações. Sim, lembro mesmo. É certo que eram tempos em que se calhar muitas pessoas se escolhiam um pouco à sorte, ou deixavam-se escolher pela primeira pessoa que aparentasse ostentar um mínimo de credibilidade e que possivelmente tentavam reabilitar vezes sem conta muitas dessas relações impossíveis onde os alhos não tinham mesmo nada a ver com os bugalhos. Acresce ainda que existia alguma pudor social relativamente à troca de companheiros, associando-se essas pessoas à leviandade. Ainda assim, até certo ponto, as pessoas esforçavam-se para que as coisas dessem certo por iniciativa própria! Hoje é precisamente o oposto: raros são os que ousam esforçar-se para que uma relação dê certo, a menos que tenham algum interesse directo nisso.

Na minha opinião, o amor é deixar alguém literalmente KO, sem conseguir raciocinar ou concentrar-se no que faz de tanto que quer estar com a pessoa que ama. O amor é algo que nos faz querer estar com aquela pessoa na saúde e na doença, na felicidade e na adversidade, e em todos os outros momentos! Esta é a minha concepção de amor. Mas, que sei eu sobre o amor? Eu so só um tipo que, se enviar mensagens a alguém durante o dia a dizer que gosto dessa pessoa e que quero estar com ela, sou obsessivo e maníaco. Sim, nos dias de hoje sou obsessivo, mas antigamente quantas e quantas mulheres não ansiavam por este género de manifestações por parte dos seus companheiros? No século XXI sou obcecado, mas há alguns anos atrás ainda era considerado um romântico...

Hoje chamam amor àquilo que outrora era paixão, paixão à tesão e ao amor obsessão. Ou seja, quando se diz que um casal se ama, quer dizer que hoje se amam muito e são felizes para sempre, mas amanhã logo se vê. Quando os dois estão apaixonados, na verdade estão abrasados, o que corresponde ao descrito por Miguel Esteves Cardoso num dos seus livros quando diz "o amor é fodido e eu adoro fodê-lo contigo".

Para mim, o verdadeiro amor morreu em 9 de Novembro de 1989, com a queda do muro de Berlim e com o fim da Guerra Fria e o seu cadáver arrastou-se durante mais algum tempo. Em Portugal o fenómeno arrastou-se ainda mais do que noutros sítios, fruto do atraso em que vivemos face ao resto do mundo. Não sou de esquerda e não vejo na queda do muro qualquer tipo de Romeu que caiu como forma de se sacrificar pela sua Julieta, mas entendo que a partir daqui a globalização conheceu um avanço indomável e com isso não só a integração económica e cultural como a social e emocional. De repente todos quiseram viver tudo como se não existisse amanhã. De repente a Coca-Cola deixou de ser "a água suja do capitalismo". De repente o culto do "eu" passou a prevalecer sobre o "nós" e o tecnológico passou a ser soberano face ao rudimentar. Toda esta pressa urgente do nosso dia-a-dia poderá também aplicar-se aos relacionamentos. Há que viver o hoje. Se não dá, paciência, vamos ao próximo e ver no que dá. Se me chateia e se não funciona como eu quero, não vale a pena, há que aproveitar o que há no mercado. Acredito que muitas gerações pré-9/11/89 já não saibam o que é o amor e que todos os que sejam pós-9/11/89 só saibam o que era o amor através dos livros e vão chamar-lhe ficção científica ou então, face ao aparecimento de novas categorias de cinema e livros, vão substituir a categoria romance como a conhecemos hoje pela categoria "obsessão".

Face a tudo isto, uma questão afigura-se pertinente: o que é o amor?

publicado por diariodeumfrustrado às 19:32
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15 comentários:
De Ana M. a 22 de Março de 2009 às 21:46
Também coloco essa questão: o que é afinal o amor???????

Não compreendo a facilidade com que hoje em dia se utiliza a palavra “Amo-te”. Esta palavra especial foi completamente banalizada e perdeu todo o seu sentido. Não compreendo as pessoas que se apaixonam perdidamente, para daqui a uns tempos, já estarem “noutra”. Os sentimentos profundos deram lugar a sentimentos “descartáveis”… “Sofrer por amor??!!! Alguma vez!!!!! Há tantos homens/mulheres no mundo, venha o próximo/a.”. É difícil encontrar pessoas que percam tempo a pensar no porquê de uma relação ter dado para o torto, a querer passar pelo chamado “período de luto”. Incentivados por um suposto conselho amigo (“Arranja outro/a, não há melhor forma de pôr para trás das costas as tristezas”) entra-se, de novo, de cabeça num relacionamento, pelo ânsia de encontrar um/a companheiro/a e deixar para trás a solidão.

Encontro-me sozinha mas, às vezes, sinto-me mais acompanhada do que muitas das pessoas que vejo à minha volta. Digo-te que dificilmente encontro casais que estejam verdadeiramente felizes juntos. Claro que nenhum relacionamento é perfeito mas muitas pessoas acomodam-se, preferem “uma meia vida”, um “assim-assim”, já não acreditam que merecem mais e por isso “mais vale contentar-me com o que tenho”. E digo isto mesmo de pessoas da nossa idade (casa dos 30’s). No outro extremo, temos aqueles que se envolvem ou se casam mas já com o pensamento de que “se ele/a me chatear muito, mando-o/a dar uma curva”, é assim tão fácil…

Para mim, o amor é querer tanto mas tanto alguém que se aceitam os seus defeitos e se valorizam as suas qualidades. É querer estar perto nos bons mas sobretudo nos maus momentos, quando ele mais precisa. É dar e receber, é sentirmo-nos mais completos desde que essa pessoa entrou na nossa vida, é sentirmo-nos acompanhados mesmo quando estamos sós, é sorrir mesmo quando “temos o pior dos dias”… mas essa é apenas a minha definição, que serve, em última instância, apenas para mim.

Beijinho Rodrigo

Ana M. (também faço anos em Maio ;))))
De diariodeumfrustrado a 25 de Março de 2009 às 12:37
O amor, realmente, tem muito que se lhe diga. E o problema de cada um ter a sua definição é dificilmente as pessoas estarem em sintonia. Por outro lado, a multidefinição de amor permite que o mesmo não seja disciplinado ou mecanizado.

Beijinho Ana

Já agora, Geminiana ou Taurina?
De Ana M. a 25 de Março de 2009 às 20:25
Taurina, sempre ;)))) (15 de Maio) E com muito bom feitio e nada teimosa...ok, eu confesso, um bocadinho teimosa...pronto, a verdade.... bastante teimosa ;))))

Beijinhos taurinos então ;)) Fica bem Rodrigo
Ana M.
De Carla Gomes a 22 de Março de 2009 às 23:00
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

Era essa a definição do nosso poeta Luis de Camões

Assim como somos todos diferentes, acredito que cada um tem a sua própria definição de amor.

Para mim amor, é aquilo que dá sentido à vida, seja ele carnal ou não.

Mesmo não me considerando uma pessoa muito sortuda nestas questões, talvez por culpa da minha forma de ser, talvez por isto, Talvez por aquilo, não importa, mas mesmo assim, acredito que para se ser feliz, ele, o amor, tem de estar presente na nossa vida.

No momento estou um bocado magoada com o AMOR, mas jamais desistirei dele, porque ele dá sentido à vida, ele dá-nos felicidade, faz-nos sonhar...

Quanto ao facto de as pessoas hoje amarem muito alguém e no amanhã já não amarem, provavelmente, nunca amaram, porque quando se ama verdadeiramente, até os defeitos passam a ser virtudes, mas quando não se ama, estes defeitos viram o centro das discussões.

Sim, tenho muita pena que as pessoas utilizem a palavra AMO-TE, sem terem a verdadeira noção do que significa.

PS: Tambem faço anos em Maio :)
De diariodeumfrustrado a 25 de Março de 2009 às 12:38
Olá, Carla!

Concordo contigo na íntegra. Hoje em dia até parece que as pessoas criam defeitos imaginários nos outros, ou empolam os que já existem, como forma de justificarem o seu "desprezo" pelas formas mais "convencionais" de amar.

Beijinho

Geminiana ou Taurina?
De Carla Sousa a 9 de Maio de 2009 às 20:54
Sou taurina 13 de Maio
De Isa_ a 23 de Março de 2009 às 00:00
pois a mim n me custa nada dizer Amo-te desde q o sinta, n importa a qtas pessoas já o tenha dito (ou n) na minha vida!... Qd se sente diz-se, qd n se sente n se diz... ONDE É Q TÁ A COMPLICAÇAO??!!
De diariodeumfrustrado a 25 de Março de 2009 às 12:39
Era bom que tudo fosse tão simples, mas, infelizmente, não é.
De Gipsi a 23 de Março de 2009 às 08:13
Amor é ... tudo e nada.
Tudo porque mesmo o que não tem sentido passa a fazer e nada porque pode deixar-nos vazios desse "tudo" e mesmo assim persistirmos em nome de uma emoção difícil de identificar.
De diariodeumfrustrado a 25 de Março de 2009 às 12:39
Forma simples, e eficaz, de amar, a tua :)
De pecadoras a 23 de Março de 2009 às 11:12

Desculpa mas não concordo contigo!! nadinha mesmo... O amor continua a existir o romantismo também, foi o prazer que se banalizou....
As mulheres passaram a exigir foi mais qualidade e a não ser tão submissas na partilha dos seus "machos" e conseguiram!
Hoje em dia as mulheres gostam na mesma de ser tratadas com respeito, são adeptas da fidelidade e empenham-se na mesma por algo que valha a pena, mas descobriram que os seus direitos são iguais aos dos homens.
De diariodeumfrustrado a 25 de Março de 2009 às 12:42
Concordo que o prazer se tenha banalizado, mas não acham que existe alguma confusão no que respeita a sentimentos?
Não concentraria o problema na exigência feita pelas mulheres, até porque os homens parecem estar completamente diferentes da "machalhice" que os marcou durante séculos. Passaram do 80 para o 8.
Quantas e quantas vezes não oiço mulheres que dizem que os românticos não têm graça nenhuma porque é tudo demasiado calmo e amoroso e os "cabrões", desculpa a expressão, dão mais emoção à relação? Muitas vezes mesmo e de mulheres de todas as idades.
Nem todas as mulheres são assim como descreves no teu comentário, infelizmente. E acredita que cada vez são menos. Os papeis estão a inverter-se e os géneros não estão a saber lidar com isso.
De Fada a 23 de Março de 2009 às 19:36
Querido " Homem Mistério "

O Amor cada um o ve ha sua maneira.. , não concordo contigo por uma simples razão :

Porque sou uma Fada e uma Fada acredita no verdadeiro Amor e digo-te que ele existe so te desejo do fundo do meu coração poderes encontra-lo um dia , ai sim saberàs o que é o Amor , o Amor verdadeiro onde se ama sem restrições..

Penso mesmo que as tuas relações nenhuma delas deu certo por isso mesmo porque não era a boa , mas eu não estou aki para te julgar afinal foram as tuas relações...Foi so mesmo um desabafo...

Desculpa por ser assim tão directa mas eu sou assim mesmo e gosto das pessoas que o são eque mostram bem a cara , para ser sincera acho que as coisas se tornam menos dificies , mas cada um é como é !...

Onde te digo mais uma vez ,

O Amor existe.


Beijo doce com saudades " Fada "
De diariodeumfrustrado a 25 de Março de 2009 às 12:42
É verdade, Fada, o Amor pode existir, resta saber em quem e de que forma :)

Beijo grande!
De Anónimo a 7 de Abril de 2009 às 00:24
Também também ando magoada com o Amor...Por Amor mudei-me de cidade mesmo depois de uma pessoa ter partido da minha vida. Por Amor e Respeito, mantenho-me no silêncio a guardar para mim tudo o que sinto. Que consequências estou a ter? Introspecção, defensiva e pouco comunicativa.
Como já expressaste, também eu senti que alguém desistiu depois de anos de dedicação, amizade, preocupação,....porque havia uma temporária distância geográfica...inclusivé, cheguei ao ponto de ter de ouvir da própria pessoa que rapidamente encontraria uma relação onde tudo fosse mais fácil. Palavras para quê...

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