Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

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Não gosto do Natal. Sou frio (e não o lamento) ao afirmar que não há diferenças entre o Natal e a hipocrisia: tanto um como o outro são quando o homem quiser e ambos constituem valentes oportunidades para que o outro sobressaia.

O Natal é a fase do cinismo e consegue ser mais "faz de conta" que o Carnaval: subitamente todos se amam, todos sentem um je ne sais quoi que os leva a pensar que podem compensar o tempo perdido e/ou comprar o amor, o respeito e a consideração de todos à sua volta com doces, presentes e votos de sucesso.

O Natal é aquela altura em que me apetece desligar o telemóvel mas apenas não o faço porque isso seria considerar que ele me afecta de tal forma que tenho que me desligar do mundo por causa dele. Todos os anos a história repete-se: gente que está meses sem me falar, sem querer saber de mim, sem se importar com a minha vida ou até sem responder a uma mensagem que eu envio, subitamente muda nos últimos dias do Ano e, qual Grinch com medo de ser atemorizado pelos fantasmas do Natal, decidem mandar mensagens de felicidades e votos de sucesso, abraços e beijos.

Como o Natal e a hipocrisia se confundem, este ano recebi variadíssimas mensagens deste tipo de pessoas. Curiosamente, os que me são próximos e adoptam um comportamento diferente do que descrevi são aqueles que não têm necessidade de dar sinais de vida nessa altura porque já o fazem ao longo dos outros 364 dias.

Não respondi a nenhuma destas mensagens ou chamadas, porque entendi que tal seria entendido como uma validação e reconhecimento de palavras ôcas, sem qualquer sentimento honesto e sincero. Talvez se desmotivem de repetir o gesto para o ano. Poupam dinheiro desnecessário comigo. Não me vou enternecer com a atitude, nem tão-pouco recordar os bons tempos em que eramos próximos.

Dou presentes às pessoas que gosto, quando sinto que o devo fazer. Dou atenção, amor e importo-me com as pessoas sem olhar a dias específicos do calendário gregoriano.

Posso ser corrosivo, mas orgulho-me de não ser hipócrita, falso, desonesto ou cínico.

publicado por diariodeumfrustrado às 21:42
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4 comentários:
De _^ANGIE^_ a 5 de Janeiro de 2010 às 00:03
humpf! Vejo que por aqui continua tudo cálido r corrosivo como sempre. até concordo que não devemos ser hipocritas e que o Natal devia ser o ano ineiro e blá blá blá. Mas não é... Ao menos que as pessoas parem uma vez por ano para olharem umas para as outras, para repararem que não estão szinhas no mundo e para se sentirem felizes. sim, mesmo que sejam felizes só uma vez por ano, pelo menos foram-no e tu?! Podes dizer o mesmo? És ou fazes feliz alguém?! Páras,nem que seja uma vez no ano, para deixar de falar de ti e pensar em ti e olhares para os outros? Talvez se olhares para o mundo lá fora descubras que a felicidade está em dares-te mesmo quando não recebes nada em troca. Acredita que colhemos aquilo que semeamos. Se só semeas rancor, colhes apenas frustrações, ou não fosses tu um frusstrado da vida...
De Gipsi a 5 de Janeiro de 2010 às 00:11
Caramba! Que grande confusão! ... Eu gosto do Natal, não por essa azafama ou essa necessidade de mostrar que gosto dos outros mas porque nessa altura dedico-me à nostalgia, a recordar pessoas que passaram na minha vida, que foram muito importantes para mim e por motivos que muitas vezes não controlamos deixam de fazer parte da nossa vida ou não estão tão presentes como gostaria que estivessem.
Dizes que é uma altura de cinismo e hipocrisia e que não desligas o telefone para mostrar que não te afecta, mas sabes que o efeito é exactamente o oposto.
Já pensaste que neste corre corre que é a nossa vida esse é um momento de paragem quase que obrigatório, nem que seja só pelo calendário.
Que tal no próximo ano fazer o que te dá na real gana e desligares o telefone se for o que realmente te apetece fazer?
E a passagem de ano não te afecta? em que toda a gente se predispõe a grandes festas e bebedeiras como se fosse o único dia para divertir-se durante todo o ano ... Hurg ! Esse sim é um dia que detesto.
De naogostopessoas a 5 de Janeiro de 2010 às 08:30
Olha o post do natal! Mas agora tens outro para fazer do ano novo :P
Agora a sério: O que raio tem o teu post a ver com sexo? :P
Agora é que é mesmo a sério: Também recebi desse tipo de sms. Melhor ainda, recebi duas (uma de ano novo e outra de natal) que não faço ideia de quem são aqueles números...
Mas eu até gosto do Natal! Não pelo espírito de natal, família e união, mas porque sou muito materialista e gosto de presentes!
Já o ano novo não me diz grande coisa... Como nunca bebo o suficiente para me embebedar, fico sempre desligada do resto do grupo... Hei-de postar sobre o meu ano novo...

*moo
De antiego a 19 de Janeiro de 2010 às 23:29
Parece que nunca ouviste falar do espirito natilicio.

O mundo não é esse viveiro de pessoas mesquinhas que tu pintas e queres passar como verdade. Nem tudo é hipocrisia, vaidade e inveja.

Claro que há muita mesquinha no mundo e até pode ser a maioria. Até podem ser 95%. Mas há 5% de gente com muitos valores e o nosso engenho é consiguir identifica-los e guarda-los. E os 95% não são assim tão mesquinhos, a não ser que sejam personagens de telenovela.

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