Sábado, 6 de Fevereiro de 2010

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O respeito é um valor que todos apreciam nos outros, mas que poucos fazem questão de ter para com aqueles que os rodeiam. Se até há uns anos tinhamos padrões comportamentais nas diversas sociedades, à medida que o "diferente" passou a ser admirado começámos a assistir, cada vez mais, a pessoas que fazem questão de ser diferentes das restantes. Embora pareça algo paradoxal, o padrão já é ser-se diferente e, como ouvi no outro dia alguém dizer, tenho as minhas dúvidas sobre se a sociedade conseguirá sobreviver a tanta diferença distinta. Uma sociedade deve manter um padrão, uma característica em comum, algo que a identifique. Enfim, conceitos que são cada vez mais uma raridade.

Com todas essas diferenças, vemos, com frequência, exemplos de pessoas que dizem "eu sou transparente e quem gostar, gosta, quem não gostar, não gosta, eu só exijo respeito". Contudo, tenho algumas dificuldades em reconhecer uma eventual compatibilidade entre a transparência em excesso e o respeito, porque quem é transparente faz e diz o que quer, sem considerar quem a rodeia porque é transparente. Isto vai provocar choques entre várias pessoas que exigem respeito mútuo.

A estrada é um dos locais onde mais vemos exemplos de pessoas "transparentes" que, com um volante nas mãos, se transcendem e tornam-se, em alguns casos, irreconhecíveis. Eu sou daqueles que quando entra no carro entra num mundo novo e se desliga do exterior. Praguejem, esbracejem, barafustem, rebentem tudo à volta que eu continuo na minha. Por ter um carro pequeno e simples vejo que vários condutores fazem questão de se sentirem superiores acelerando até me ultrapassarem em curtos espaços de estrada, quase provocando acidentes, buzinando e fazendo máximos mesmo quando estou no limite da velocidade máxima (e o que os irrita mais é o facto de ignorá-los por completo, porque não vou desviar-me ou acelerar porque alguém decide não cumprir a lei), desrespeito pelas prioridades e tentativas de me entalar... Enfim, um conjunto de coisas às quais está associado o meu tipo de condução defensiva e o tipo de carro que tenho.

Há pouco mais de um mês bateram-me no carro de forma estúpida. Tudo correu bem e a pessoa pagou o estrago. Porém, foi durante as duas semanas que o carro demorou a ser arranjado que denotei um comportamento invulgar. O carro andou com a frente assassinada. O seu ar típico de veterano de guerra que se circula pela cidade com as cicatrizes no rosto e com a marca das balas no corpo tiveram como consequência demonstrações de respeito dos outros como nunca vi. Possivelmente noutros tempos temiam que um carrinho pequeno e simples fizesse mal a uma mosca que fosse. Agora que viram que também ele faz estragos, quando o vêem dão-lhe crédito e não querem que o David faça estragos aos vários Golias que com ele se cruzam. Vi carros que respeitavam prioridades, que me cediam a passagem mesmo quando não tinham que o fazer e já pensam duas vezes antes de fazerem algumas manobras perigosas. Com a reparação do carro voltou tudo ao normal.

Que estranho comportamento este que, apesar das crescentes diferenças entre as pessoas continua a revelar que o Ser Humano, fiel às suas origens, insiste em julgar mediante aquilo que vê, descurando completamente outros factores que poderiam certamente ajudá-los a ser mais felizes!

publicado por diariodeumfrustrado às 10:22
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2 comentários:
De Fada a 6 de Fevereiro de 2010 às 15:36
Ola..

Infelizmente é a nossa sociadade...
Espero que andes bem ..beijo grande..
De antiego a 8 de Fevereiro de 2010 às 11:26
A explicação deve ser simples:

1. Só ver um carro com estragos faz lembrar às pessoas que os acidentes podem acontecer e já ali.

2. Se temos um carro batido, se calhar não somos conduitores de confiança.

3. Ao vermos um carro batido, pensamos, inconscientemente, que ele não tem nada a perder e nós muito.

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