Domingo, 11 de Abril de 2010

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Falava ontem com uma amiga minha que se queixava do facto do marido ser extremamente influenciado pela mãe e desabafava que sempre que se juntava no meio familiar dele era simplesmente impossível levar o companheiro a fazer o que quer que fosse se a mãe já se tivesse pronunciado sobre isso naquele momento ou noutra altura. Pessoalmente, eu compreendo-o e desculpo-o. Perguntei-lhe como é que a mãe dele o criou, se através de um regime presencial ou de concertação com o marido na possibilidade dos dois trabalharem. Respondeu-me aquilo que eu já esperava: a senhora sempre foi doméstica.

As mulheres domésticas que assumem a função de "gerir a casa" têm uma posição privilegiada na família e na sociedade, que outras inseridas noutras funções, até mesmo de topo, não têm: elas têm o poder de educar os filhos de acordo com os seus padrões. Imaginem que são programadores informáticos (mãe) e têm a possibilidade de configurar um sistema operativo (filho) de acordo com a vossa preferência. É isto que muitas mães fazem com os filhos, seja consciente, seja inconsciente. É por isto que muitas mulheres se queixam das sogras que têm: não têm a mínima hipótese de combater em igualdade de circunstâncias pelo monopólio do homem em causa. Não digo que devam relevar esta realidade e ignorá-la, mas devem desculpar o vosso companheiro, pois ele não age de forma consciente: foi formatado neste sentido.

Eu hoje tenho consciência disto, o que me deixa ainda mais furioso. Não, não é confuso. Eu tenho a certeza absoluta que fui educado desta forma e vejo isso pela forma como as mulheres presentes na minha educação e crescimento me influenciam nas minhas barbas. Sempre que estou decidido a fazer qualquer coisa, se alguma delas diz uma palavra em sentido contrário, não me anulo, nem volto atrás (excepto em decisões que queira tomar e no fim conclua que, de facto, não iria agir com bom senso), mas não consigo deixar de sentir um peso na consciência por não lhes ter dado ouvidos e não descanso enquanto não provar a mim mesmo que afinal estava certo. Não basta ter a certeza que não estava errado. Há que me garantir que estava certo com um elevado nível de segurança.

Passo a dar um exemplo banal: vejo na internet que amanhã vai estar calor e sol. Se tiver o azar de ouvir a minha mãe dizer que o tempo está bom para levar um casaco porque está vento, eu até posso não o levar, mas à primeira brisa que sinta, ainda que não sinta frio, questiono-me porque não levei um casaco como a minha mãe tinha dito. A partir daí não descanso enquanto não assegurar que está, de facto, tempo para não levar casaco para sentir que tomei uma boa decisão. Aquela simples brisa passa a ter o mesmo efeito de uma ventania.

Esta situação deixa-me furioso porque sei que estou a ser inconscientemente manipulado, tenho consciência disso, recuso-me a cumprir o que é dito só por vir de quem vem, mas aquela treta não consegue deixar de me influenciar! Acreditem, é perturbador.

Poderia dar muitos outros exemplos meus e de outros homens que conheço. Não é uma questão de idades, não é uma questão de consideração ou respeito, não é uma questão de profissão ou perfil. É uma questão de educação e manipulação. É por isso que não vale a pena que mulheres com homens assim tentem competir com as mães. Uns resistem, mas enfrentam a paranóia de ter que garantir que afinal elas estavam erradas, vivendo numa luta interna de cada vez que é emitido um comando materno. Outros entram num estado de hipnose tal que nem questionam o que é dito e limitam-se a cumprir inconscientemente as ordens da figura feminina que os formatou. Não é por mal, nem é por amarem mais a mãe do que as companheiras. É que antes delas se conhecerem por pessoas, já a mãe deles fazia o "format c:" e instalava-lhes o sistema operativo materno correspondente, sem imperfeições. Hoje, enquanto a nora esperneia e faz de tudo para ganhar um jogo a feijões com a sogra, esta não precisa de mexer uma palha, bastando dizer uma palavra para que tudo se posicione a seu favor.

publicado por diariodeumfrustrado às 20:07
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