Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

80

Já fui em tempos aquilo que não sou hoje e não foi há tanto tempo quanto isso. Desmotivei-me bastante com as pessoas e se calhar também contribui para que elas se desmotivassem com as pessoas. Às vezes faltou coragem para dizer certas coisas que eram duras mas que precisavam de ser ditas e noutras faltou-me lucidez e frieza de ânimo para enfrentar as duras realidades que precisava aceitar.
Posso dizer que comecei a viver cedo demais e sempre de forma intensa, sem parar, daí ter umas vivências atrás das outras e hoje parecer quase o diário de um tipo muito batido na vida que decidiu que a certa altura precisava apenas de sopas e descanso. Digamos que dei um tempo às emoções, aos sentimentos, se calhar porque as emoções e os sentimentos me querem dar um tempo a mim. O que é certo é que se aparecer diante de mim alguém a dar sinais de vida ou de interesse, eu arrisco e vou em frente. Se calhar sou mais eu a tentar crer que estou no comando da situação e estou a dar um tempo às coisas. É mais fácil de lidar com as frustrações desta forma: eu estou sozinho porque quero, eu não tenho trabalho porque quero. É tudo mentira, mas deixem-me pensar assim que custa menos a suportar.
Não aprendo com os erros e creio que a esmagadora maioria das pessoas não aprende quer com os seus quer com os de terceiros. Passo a vida a dizer que não tenho paciência para pessoas que são de certas e determinadas formas. E quanto mais vezes digo isto, mais elas me aparecem à frente, mais eu percebo que tipo de pessoas são (viva a intuição), mais eu penso "e se desta vez for diferente?" e mais eu volto a cair no mesmo de sempre. Cair não é uma palavra feliz. Ninguém me montou uma armadilha. Tive a intuição a funcionar e tive sinais da outra pessoa sobre como ela era. Fui porque quis. Ninguém me obrigou. Fui porque fui fraco e porque tinha esperança em como tudo seria diferente. Iludi-me. Ninguém me iludiu.
O engraçado disto tudo é que mesmo depois disto tudo que acabei de escrever, se me aparecesse à frente outra pessoa que não presta, eu iria perceber que ela não presta e iria pensar mais uma vez "desta é que é". Resultado: mais uma vez me iria enganar, iludir e magoar e mais um post este diário ganharia, além dos que ainda estão por escrever.
publicado por diariodeumfrustrado às 11:22
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

79

Ainda as mulheres mais velhas, desta vez a Y., letra dada a outra coordenada da matemática e que no final contribuirá para as contas que faço.
A Y. era professora de educação física. Conhecemo-nos através dos chats e decidimos sair um dia à noite. Fomos à discoteca beber um copo e dançar. Já tinha alguma idade, mas era uma mulher muito atraente e de um nível muito elevado e respeitado. Dava para ver que não era uma dessas malucas que andam aí pela noite à procura de homem. Bebida puxa bebida e às tantas já estávamos enrolados. Sim, o álcool tem este efeito benéfico: se a abordagem correr mal "é porque estava bêbado", mas se a abordagem correr bem "estava perfeitamente consciente". O que é certo é que o álcool ajuda a desinibir. Disso não haja dúvidas.
Enrolámo-nos e ficámos a noite toda a fazer sexo como se não houvesse amanhã. Tenho que confessar que a Y. era francamente boa a nível sexual, ao contrário da Z. Como é natural, tivemos que repetir a experiência e assim aconteceu dias depois. Fui para casa dela e tivemos uma bela tarde dedicada aos prazeres da carne. Confirmou-se que a primeira vez não foi sorte da minha parte. De facto, a Z. era mesmo "muito boa na cama".
Falávamos no MSN e voltámos a combinar terceiro encontro. Ao chegar ao local, eis que ela se apresentava com uma roupa diferente da habitual e dedicada ao efeito. Por não ser relevante a descrição, fico-me apenas pelas indicações já dadas. Reparei, como é óbvio, na indumentária, e disse que ela estava muito interessante. Depois de tudo e de me ter ido embora, eis que a Y. me manda uma mensagem a dizer que estava muito triste e que tinha que rever a nossa relação, porque naquela tarde apesar de tudo ter sido muito bom, eu não dei importância à roupa que ela comprou só para me agradar. Como é natural, eu disse que tinha gostado bastante mas que o mais importante não é a roupa ou os acessórios que a pessoa tenha, mas a forma como ela era. Perguntei ainda que tipo de relação é que nós tínhamos, dado que nunca nada foi conversado e só nos encontrávamos para sexo.
A Y. manifestou-se desiludida porque achava que as coisas estavam a ficar sérias e, tal como a X., também ela já tinha falado à filha que tinha um namorado novo! "Porra! Que mal fiz eu para que todas queiram coisas sérias comigo e me apresentem às filhas assim?!", pensei eu. Com esta já conversei e não desapareci de cena, como com as outras. Com esta limitei-me a ir adiando os encontros, até que ela acabou por perceber. No entanto, gostava de salientar que a Y. é uma pessoa de muito respeito e nível, não sendo, de todo, uma qualquer que anda por aí com meio mundo.
As contas que faço depois destas experiências são: uma é boa, dois é excelente, três já é demais e vamos ter compromisso sério! Dou um conselho aos meus amigos: se se meterem com uma mulher mais velha, saibam dar um tempo entre a primeira e a segunda vez que estão com ela, e não voltem lá uma terceira vez, senão vão passar pelo mesmo que eu e correm o risco de fazer com elas o que os outros faziam com a Z.: usar, iludir e abusar, e fazer isso não é nada bonito, nem recomendável.
publicado por diariodeumfrustrado às 13:43
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

78

Mais uma vez as mulheres mais velhas. Desta vez é a Z., à qual lhe atribuo uma letra que habitualmente equivale a uma coordenada matemática e que é usada para gerar a chamada "terceira dimensão". Pois bem, a Z. não tem nada a ver quer com Matemáticas, quer com Ciências.
A Z. conheci numa ida minha a um Centro Comercial. Tinha-me cruzado com ela e vi que era uma mulher interessante. Coincidentemente (foi mesmo), apanhámos o mesmo meio de transporte para regressar a casa e eu deveria sair algumas paragens antes dela. Decidi seguir o conselho dos meus amigos que há anos que me dizem "tens que arriscar". Enchi-me de coragem e meti conversa com ela. Ela respondeu com simpatia e, conversa puxa conversa, acabei com o número dela. O resto não é novidade para ninguém e já se sabe como é que as coisas se desenvolvem no "mundo animal": começa-se com mensagens, depois telefonemas, avança-se para o café e por fim acaba-se na casa de um deles.
Neste caso em concreto eu acabei na casa dela. É uma mulher fisicamente muito interessante, mas tenho que dizer que a nível sexual é precisamente o oposto. Se não for o homem a ter a iniciativa, aquilo que promete ser uma noite de luxo e sexo da melhor qualidade, acaba por ser uma tentativa falhada de fazer qualquer coisa entre amor e sexo. Aliás, aquele velho ditado masculinamente popular que diz que uma mulher super atraente é má na cama e que as que se revelam melhores são aquelas por quem ninguém dá nada. Posso dizer que sou totalmente defensor desta teoria, até porque ainda não houve mulher que me provasse o contrário dela.
Ela era realmente fraca a nível sexual, mas ao menos deixava que o parceiro tomasse a iniciativa. No entanto, ela tinha um fetiche: pedia e adorava que lhe tirasse fotografias antes e depois do sexo. Não sei porquê, nunca perguntei o porquê. Ela pediu-me isto na primeira vez e eu não recusei. Gostava de se exibir. Creio que ela própria ganhava confiança e se sentia mais feminina por ver que alguém gostava de lhe tirar fotos e de destacar certas partes dela. É a única explicação que encontro.
Marcámos um segundo encontro e tudo correu precisamente da mesma maneira. Porém, ao terceiro encontro, ela diz-me "Amo-te" antes de fazermos sexo. Fiquei baralhado com aquilo porque como é que alguém diz "amo-te" a alguém com quem está duas ou três vezes? Só se for muito carente. Tentei perceber o porquê daquilo tudo e creio que ela realmente é muito carente de afecto, de amor, um pouco de tudo. Disse-me que os homens que tinha tido até àquele momento eram todos casados que lhe mentiam dizendo que eram divorciados e a queriam fazer feliz, mas depois descobria-se que só queriam fazer dela uma mera amante; outros só a queriam mesmo para cama, mas diziam-lhe coisas bonitas para a levar até onde conseguissem. Ora, eu nunca lhe disse coisas bonitas e das nossas conversas iniciais, creio (creio mesmo) que ficou claro que não íamos ter uma relação séria, mas íamos tendo encontros ocasionais. Basicamente, fui honesto com ela e não a enganei. Sempre fui assim com as pessoas: tentei ao máximo que percebessem que não queria algo sério com elas ou, noutros casos, que queria algo sério com elas. Por mais sinais que sejam dados e que aos nossos olhos pareçam evidentes, aos olhos dos outros nem sempre é assim e se calhar é preferível dizer as coisas de forma fria e dura e destroçar por completo o coração de alguém cujo coração já estava desfeito.
Depois desta conversa, disse-lhe que não podia dizer que sentia o mesmo porque apenas existia uma atracção física da minha parte. Ela quis estar comigo naquela noite. Assim sucedeu. Nos dias que se seguíram não parou de me enviar mensagens a dizer "Amo-te", "quero ficar contigo", "vem hoje à minha casa", etc. Se a minha intenção não era dar azo a que este sentimento dela continuasse, creio ter tomado uma atitude que muito me custou carnalmente (à terceira vez com ela, até parecia que já estava a melhorar. Se calhar era eu que já via as coisas assim), mas que interiormente foi o melhor que fiz, pois ia evitar que tivesse complicações futuras e o coração destroçado de uma mulher nas mãos, sem que tivesse feito muito por isso. Solução: desliga o tal cartão (que a esta hora já deve ter sido vítima de vudu, pois foram algumas as mulheres que o ficaram a conhecer) durante umas semanas. Dois anos depois ainda voltei a receber mensagens dela a dizer que o que eu lhe fiz não se fazia a ninguém, etc. Mas... o que é que eu verdadeiramente lhe fiz? Cheguei a falar com ela e ela insistia em algo com alguém que não estava na mesma linha que ela. Eu sei que ela tinha carências afectivas, mas ainda que eu me quisesse esforçar nesse sentido, nunca ia conseguir dar-lhe algo que não sentia: amor.
publicado por diariodeumfrustrado às 22:21
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

77

Mulheres mais velhas. Pequena fantasia ou grande problema? Depende de a quem nos refiramos. Como já aqui disse, já tive mulheres mais velhas que eu, não pela idade ou pela fantasia em volta delas, mas porque realmente se gerou um ambiente que propiciou a que tal acontecesse. Nesse ponto, não posso falar em "ter tido mulheres mais velhas", mas referir-me a elas como mulheres que eram, tal como as que já tive. Estas, sim, eram vistas como relações sérias e não como fantasia.
No entanto, já as houve que mais não eram do que "fuck friends" e aí a pequena fantasia pode gerar um grande problema. Desde logo faço referência à X. com quem após algumas conversas marcámos um jantar só para nós. Depois do jantar, conversa puxa conversa, gesto puxa gesto e lá estávamos nós enrolados. É verdade, esta do "conversa puxa conversa, gesto puxa gesto" foi uma desculpa triste, mas espero que me seja permitido dá-la para ver nela um mínimo de consolação e não pensar hoje "onde é que eu estava com a cabeça?".
Enrolei-me dessa primeira vez com a X. e voltei a enrolar-me uma segunda (afinal a desculpa anterior já não pega). Mais uma vez... aconteceu. O problema veio depois. Segui à minha vida e ela até era interessante na cama, por isso, esperava empurrar esta situação até onde desse e até onde ambos permitíssemos.
Aconteceu que durante uma conversa que estávamos a ter, ela decide convidar-me para jantar novamente. Até aí tudo normal, e era previsível a "terceira" vez. Porém, qual não é o meu espanto quando ela me diz "um dia destes tenho que te apresentar à minha filha". Congelei por segundos. Quando volto ao estado normal começo a pensar no porquê e não encontro resposta: ela não estava a tentar fazer o arranjinho entre mim e a filha, até porque a filha dela tinha 15 anos na altura, acabados de fazer. Eu tinha mais, alguns anos mais! Eis que lhe pergunto "à tua filha? Mas porque é que me queres apresentar à tua filha?" e a resposta dela foi "quero apresentar-te como meu namorado e quero que ela saiba que a nossa relação é séria". Se com a pergunta congelei, e demorei a descongelar! Sabem aquelas imagens como dão nos filmes de um alarme com uma luz vermelha a piscar e a fazer barulho por todos os lados? Foi precisamente o que me apareceu naquele momento, com o dizer "S.O.S."!
Ela estranhou o meu silêncio e começou "então? O que foi?" e eu digo, para não a deixar ficar mal, "estou a pensar que é importante o que queres fazer. Teres essa ligação com a tua filha sensibiliza-me e só mostra que és uma grande mulher". Claro que depois do pânico passar tive que me desmarcar subtilmente com um "olha, hoje não posso jantar convosco, e amanhã também não, mas esse jantar vai mesmo ter que sair". Telemóvel desligado e nunca mais o voltei a ligar. Não consegui lidar com o assunto e não esperava que ela estivesse a ver uma relação séria onde só parecia haver sexo.
Neste tipo de situações a sorte é que elas nunca saibam onde moramos e arranjarmos um cartão só para "fuck friends", "possíveis fuck friends", etc. Basicamente, é arranjar um cartão de telemóvel e colocarmos lá a inscrição "possible trouble". Pronto! Fica este género de cartão reservado para pessoas que não sabemos bem como são, do que são capazes, o que querem, etc. Se acontecer alguma coisa e se a relação ficar séria, então podemos dar "o número", aquele que toda a gente tem, inclusivamente os nossos amigos mais próximos, conhecidos, colegas, família. Até lá levam "o outro". É a melhor maneira de se evitar ter alguém a ligar-nos às 4 da manhã a dizer que tem saudades nossas quando houve uma confusão entre aquilo que sentimos e aquilo que a pessoa gostaria que sentíssemos e que nós nunca lhe demonstrámos. Se a pessoa não souber a nossa morada, é ainda uma forma muito eficaz de impedir que nos façam esperas de carro à porta ou nos apareçam à janela a gritar "Amo-te! Tens que ficar comigo". Acreditem, por vezes é preciso ter sangue frio para não magoar mais ainda quem já se começou a magoar sozinho.
publicado por diariodeumfrustrado às 17:50
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Domingo, 25 de Novembro de 2007

76

Há dois posts atrás falei das namoradas/mulheres que insistem em falar das relações passadas. Hoje falo de uma situação quase oposta: mulheres que gostam de saber dos relacionamentos anteriores dos seus parceiros.
Neste âmbito posso dizer que algumas parceiras/companheiras preocupavam-se em saber dos meus relacionamentos anteriores, e outras nem por isso. Não era propriamente coisa que eu gostasse de falar, pelos mesmos motivos que não gostava de ouvir os desabafos que tentavam ter comigo sobre os seus anteriores relacionamentos: é passado, já passou, morreu, acabou.
Existe outra coisa curiosa que acontece quando as mulheres nos perguntam sobre os anteriores relacionamentos: normalmente, parecem muito interessadas, mas se formos sinceros e dissermos como era, quando tocamos em alguns pontos críticos e sensíveis que foram positivos com as outras, ficam ofendidas e chateiam-se. Esquecem-se que todos os relacionamentos têm coisas boas e coisas más. Pressionam-nos, apertam connosco até dizermos "como era", mas depois aborrecem-se por dizermos "como é que realmente era". Decidam-se. Afinal em que ficamos? Querem ou não saber das coisas?
Existem ainda aquelas que se martirizam porque pensam que não têm os argumentos positivos que as nossas ex tinham e esquecem-se que todas as pessoas são diferentes. Existem ainda aquelas que nos encostam à parede e por tudo e por nada nos dizem "sou melhor que a tua ex nisto?", "a tua ex também era assim?", "a tua ex fazia isto?", "a tua ex pensava assim?". Nestes casos, somos quase que obrigados a fazer comparações, por mais que não queiramos. Por mais que desejemos que os anteriores relacionamentos estivessem mortos e enterrados, algumas companheiras presentes fazem questão de fazer da nossa relação actual um género de "RTP Memória", onde somos obrigados a recordar-nos de coisas que já não nos interessam para nada.
publicado por diariodeumfrustrado às 12:24
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Sábado, 24 de Novembro de 2007

75

A V. era minha colega. Vimo-nos na primeira aula que tivemos juntos e trocámos olhares. Sentámo-nos lado a lado e metemos conversa um com o outro. No final, dei-lhe o meu número e começámos a trocar mensagens, etc.
A V. convidou-me para ir jantar à sua casa alguns dias depois de começarmos a falar. Aceitei. Supostamente não era um convite qualquer. Possivelmente tomei o melhor banho dos meus últimos 5 anos de vida, exageradamente falando. Pus o melhor perfume, escolhi a melhor roupa.
Ao sair de casa, passei por um mercado para comprar vinho. Já estava atrasado, porque o convite foi feito em cima da hora. Ao dirigir-me à caixa do mercado para pagar a garrafa de vinho, deparo-me com uma fila como nunca me lembro de ter visto naquele sítio. Esperei, esperei. Já estava atrasadíssimo e o tipo que estava a atender, parece que quando me vê com pressa ainda se torna mais lento. Até a dar-me o troco estava preocupado em contar demasiado as moedinhas que não interessam a ninguém. Pelos vistos a mim interessavam porque esperei que ele as contasse bem contadas para poder abandonar o local.
Fui já a correr apanhar o comboio e por cerca de dez segundos falhei-o. Esperei. Ao entrar no comboio seguinte lembrei-me que estava sem preservativos! Isto não podia acontecer! Chegando ao destino, andei às voltas para encontrar uma farmácia. Uma coisa que há aos pontapés, não havia desta vez. Se calhar até passei por uma e nem dei conta, tal era já o stress com o atraso. Finalmente encontrei uma. Mais uma fila enorme e eu a ficar mais nervoso ainda. Não sei se era mesmo azar, se era eu que já estava a ter visões, mas uma das clientes antes de mim vai para a farmácia caracterizar o que sente e sugere medicamentos. O farmacêutico ajuda-a e vai procurá-los. A farmácia não tem daqueles sistemas automáticos em que se carrega num botão e vem logo o fármaco desejado. Volta quando constata que não tem aquele medicamento. Decide consultar a senhora e volta à procura de um outro. Desta vez já tinha.
Chegou a minha vez. Peço o que quero e vou pagar. O Multibanco alegadamente funciona, mas descubro que não funciona quando começa a dar erro com o meu cartão. Mais tempo perdido. Não o aceita mesmo. Tenho que ir levantar dinheiro a um banco. Nova missão impossível: descobrir um banco. Esta nem é tão impossível porque felizmente os bancos estão espalhados em cada porta de rua. Mesmo assim ainda tive que subir a "rua da farmácia". Não tinha ninguém na fila para o ATM. Vá lá... um bocadinho de "não azar". Volto à farmácia onde o tipo estava já a atender outra senhora. Espera mais tempo. Finalmente pago.
Já ia em bastante tempo de atraso, isto meia hora depois de ter mandado a mensagem à V. a dizer "desculpa o atraso mas estou mesmo a chegar".
Parece anedótico, mas enganei-me na rua da casa dela. Desci uma rua enorme e só depois de andar bastante é que noto que algo está errado. A rua que dá acesso à rua da casa dela não é tão inclinada. Volta a subir tudo. Acerto na tal rua. Abordo uma tipa na rua para saber se estava no caminho certo. Era de noite e a tipa deve ter-se assustado com um tipo a apontar-lhe uma garrafa de vinho. Se calhar pensou que era outra coisa, mas começou a fugir e a dizer que não podia falar. Felizmente tinha mesmo acertado na rua. Entro na rua da casa dela pelo lado contrário a que devia ter entrado, ou seja: fui dar uma volta enorme para chegar a algo que podia estar mais perto.
Finalmente chego a casa dela. Em vez de um tipo perfumado, arranjado e com bom aspecto, aparece um tipo todo vermelho como se tivesse acabado de vir da maratona, quase desfraldado, a suar como um cavalo e o cheiro de perfume deve ter dado lugar a outro cheiro qualquer que nem me atrevi a tentar identificar na altura, antes que tivesse um colapso. Desfiz-me em desculpas. Tinha chegado com uma hora de atraso e cheguei no estado lastimoso em que cheguei.
Vamos iniciar o jantar e a V. mostra-me a casa. Tive acesso às divisões todas. Quando a coisa parecia estar a recuperar e a ficar como deve ser, oiço uma chave na porta. A porta abre-se e é a colega de casa dela. Supostamente ia passear e sair naquela noite, mas arrependeu-se e voltou para trás porque algo correu mal com o namorado. Precisava de apoio, atenção e ajuda da amiga. A noite acabou com os três à conversa e comigo a tentar que uma caixa de preservativos não caísse do bolso do meu casaco. Algum tempo depois voltei para casa.
Foi uma noite estranha. Engraçada (se é que isto tenha alguma graça) e diferente, mas estranha. E, para não variar, aconteceu comigo.
publicado por diariodeumfrustrado às 11:48
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

74

Com a esmagadora maioria das mulheres que conheço e com praticamente todas com quem me relacionei, sempre aconteceu algo comum: a vontade de falar dos ex-namorados. Até compreendo isso numa amiga ou colega, porque é normal. No entanto, não compreendo a mesma atitude por parte das namoradas, parceiras sexuais, ou mulheres que sabem que estamos interessados nelas. Algumas, sabem que estamos interessados e que nós tentamos, sabe-se lá bem como, provocar a aproximação, e mesmo assim vêem em nós "amigos" com quem podem falar dos ex-namorados, lamentando-as. Mais curiosa ainda se torna a situação quando elas choram, choram, choram, mas acabam por voltar para eles.
Voltando ao principal, as namoradas que gostam de falar de ex-namorados, sei que não fui o único azarado até hoje a ter que gramar com conversa de ex-namorados. Os meus amigos e conhecidos passam pelo mesmo. Pobres coitados. Nenhum quer saber como é que eram as coisas com as pessoas que elas já tiveram. Queremos lá saber se o tipo era chato, se o tipo tinha pancadas, se o tipo as tratava mal, se o tipo era atrasado mental, se o tipo era bom ou mau na cama, se o tipo não fazia certas coisas e fazia outras tantas.
Mulheres: nós não queremos saber de absolutamente nada disto! O tipo que veio antes de nós, para nós está morto, enterrado e não é para recordar nunca mais. Terminou-se um capítulo do livro, para se iniciar um novo connosco! É assim que nós vemos as coisas! Não gostamos de ser comparados com ninguém, nem queremos sequer saber que tiveram outros homens na vossa vida! Para nós, vocês são como virgens sem o ser: nós somos os primeiros e únicos. Não houve mais nada! Por isso, apesar de vocês quererem saber como eram as nossas ex-namoradas, como se comportavam, o que faziam, etc, nós não gostamos disso. A única coisa que gostamos de ouvir, e com a qual não nos importamos, é de ouvir-vos dizer que somos bem melhores que os vossos ex-namorados... em tudo! Não se fiquem pela cama apenas. Falem também do resto, isto se partirmos do princípio que é uma relação séria, caso contrário podem apenas dizer que somos o melhor gajo que já tiveram na cama. Assim, desta forma. Se a relação for meramente carnal, não existe outra forma de dizer as coisas. Mas se a relação for minimamente séria e se for para não nos compararem para melhor, e de forma geral, com todos os vossos ex-namorados, ex-maridos, ex-tudo, então nem digam nada. Repito: não queremos saber se tiveram uma ou cem pessoas no passado, nem como funcionavam essas relações. Por isso, poupem-nos com isso.
publicado por diariodeumfrustrado às 09:36
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

73

As noites são dolorosas. Aliás, tudo o que é tempo livre é doloroso para mim. As noites, e o longo período que começa na 6.ª feira à noite e termina na madrugada de domingo para segunda, são períodos dolorosos. Quem me leia ou ouça até deve pensar que eu trabalho, mas não trabalho. Apenas consigo arranjar forma de me entreter durante o dia.
Chego a casa no final de tarde e a partir daí começo a pensar em vários episódios e situações da minha vida, com particular relevância para os mais recentes, dado que foram os últimos a deixar mossa.
Penso, tento distrair-me e por vezes encontro-me na net a navegar em nada: apenas sites aos quais eu nem presto atenção, apenas tentando forçar a minha distracção. Quando dou conta, estou a pensar na mesma coisa novamente.
Dou comigo em baixo, sinto-me abatido, triste e com vontade de desistir de tudo. Volto a perguntar-me "como será se...?" e fico com muitas dúvidas. Formulo as perguntas do costume e que já coloquei num post anterior. Fico baralhado e penso como é possível não ter a certeza sobre o que acontece a seguir. Supostamente assino um contrato que me dá o direito de viver, mas não sei o que é que me acontece quando esse contrato expira, ou caso o tente cancelar antes do tempo "natural".
Penso em algumas situações da minha vida e faço um género de mistura de conclusões que já se viu por aqui muita gente a escrever: terei eu 80 anos? Não os tenho fisicamente, mas se calhar já vivi tudo o que tinha a viver. Curiosamente, o facto de não ter trabalho pode ser visto como um género de reforma indirecta que eu tenho para estes meus 80 anos interiores. Sinto-me com 80 anos por dentro, possivelmente de tudo o que já vivi. Sinto-me cansado de viver e as observações feitas aos "meus 80 anos" por diversas pessoas fazem efectivamente sentido: estou a pedir descanso. Olho à minha volta e não vejo nada. Tudo o que tive passou pelas minhas mãos e acabou. Tudo passou e neste momento não tenho nada. Tenho recordações e memórias. Tenho muitas recordações boas, felizmente. Também tenho outras menos boas. Mas, acima de tudo, trocava todas essas recordações por uma vivência nova, por uma descoberta, por uma novidade. Trocava todas as recordações do mundo por uma felicidade constante.
Tenho 80 anos e faço referência a eles no post número 73. Seria bonito falar disto no post 80, mas a vida não é sempre bonita, como tal, permitam-me não respeitar a beleza da literatura. Sou de emoções, mas não sou de as forçar. Deu-me para escrever no post 73 sobre os "meus 80 anos". Desculpem-me por isso.
Vou tentar dormir. Amanhã é outro dia e vou começá-lo bem, como de costume. É a fase da esperança. Sempre que me levanto, levanto-me crente num dia positivo, cheio de vida, e feliz. À medida que as horas passam, a esperança vai esmorecendo, ainda que tenha dias agradáveis. Amanhã por esta hora estarei da mesma forma em que estou hoje. Acontece-me todos os dias desde há anos e quantos mais episódios me vão sucedendo, mais pesado se torna o fardo.
No outro dia, um senhor com 85 anos pediu-me ajuda. Prontifiquei-me a ajudá-lo. Conversa puxa conversa e ele confessou-me a sua idade. Fiquei espantado e disse-lhe:
- O senhor tem 85 anos? Aparenta ter 50. Está muito jovem.
A resposta dele foi pronta:
- Por fora é tudo muito bonito, mas por dentro acredite que tenho 85 anos. Está tudo desfeito.
Fiquei com aquilo na cabeça e hoje deparo-me a falar do mesmo. Por fora e de nascença estou bem longe dos 40. Mas por dentro, acreditem, tenho mesmo os 80 anos que me dão.
publicado por diariodeumfrustrado às 00:49
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

72

Inspirei-me num post que a M. (não é nome fictício para alguém que passou na minha vida, mas é o da menina que visita este espaço e comenta) fez no seu blog pessoal. Aproveito e conto algumas sagas da minha vida.
É verdade, já estive dos dois lados da barricada. Tanto do lado de quem não queria assumir, como do lado de quem queria que a outra pessoa assumisse. Estive do lado de quem não queria assumir quando estava com a P.. Simplesmente não confiava nela e não ia andar a passear-me por aí com uma pessoa em quem não tinha a mínima confiança. Ela que desse provas em como valeria a pena assumir uma relação com ela. Até lá, funcionava um pouco como "friend" e como "fuck friend". Aliás, funcionou assim durante muito tempo, mas tenho dito que sem confiança pode haver amor, mas de certeza que não há relação. Aliás, comigo, se não houver confiança, não há rigorosamente nada. Sou assim.
Não assumi também com a H. enquanto ela não resolvesse a situação dela. Era engraçado, ela no meu meio queria que eu a tratasse como se fosse uma relação séria, mas enquanto ela não resolvia a situação dela, no seu meio eu era apenas um amigo, ou até um conhecido.
Ambas as situações passei assumi-las quando senti que havia motivos para ter confiança e para dar o passo em frente. Não vou avançar com alguém que não sei se me vê como um capricho ou sabe-se lá como o quê. É como a antiga história de apresentar a namorada aos pais: se me tivesse metido a apresentar aos meus pais as pessoas com quem andei, dei uns beijos, ou até umas quecas, eles conheciam uma diferente de mês a mês. Nunca apresentei nenhuma, curiosamente. Mas mesmo que tivesse apresentado, teriam sido só aquelas com quem tivesse tido algo que visse que era mesmo sério. Assim se passa com as relações e o "assumir": só se assumem as relações que são sérias, e só são relações sérias aquelas que nós e a nossa companheira queremos que seja. Se os dois não fizerem de uma relação, uma relação séria, então não há relação para assumir, nem nada para encarar. São meros amigos que de vez em quando dão "as suas" e trocam uns beijos e pronto, nada mais que isso.
Quando ambos vêem uma relação como séria, assumem, não pela vontade de mostrar ao mundo, mas porque não devem nada a ninguém e não vêem naquela relação um tropeço ou um peso.
Curiosamente, nos dois casos que aqui expus, quando avancei, e quando assumi, foi quando me deram as facadas. Pergunto: terá valido a pena? Se calhar ainda bem que mantive a distância durante algum tempo, porque às vezes é isso que as mulheres querem e gostam: distância. Quando lhes damos com os pés e estamos no controlo da situação, e somos nós que ditamos as regras, elas andam sempre atrás de nós. Quando somos os bonzinhos que as deixam decidir sobre alguma coisa, levamos facadas. O risco disto acontecer é enorme e não sou o único homem que já passou por isso, infelizmente.
Também já estive do outro lado, a querer que alguém assumisse o que tinha comigo e, curiosamente, quando isso aconteceu, desmarquei-me porque perdi o interesse na relação. Passou tanto tempo, tanto tempo, tanto tempo, que acabei por desistir e com a desistência acabou o sentimento.
Sempre que me pressionavam para assumir algo, demorei cerca de mês e meio dois meses a fazê-lo. Mas sempre que era eu a estar no outro lado, o tempo de espera foi um ano e meio, dois anos. Cansei de tanto insistir e lutar. Nos dois casos em que era eu quem estava "no comando", se é que possamos dizer assim, aquilo que recebi foi mesmo maldade e falta de carácter das pessoas com quem estava. Foi calculismo e capricho. Pergunto novamente: valeu a pena ter assumido? De forma alguma! Mas, por outro lado, valeu a pena: foi da maneira que deixei de me enganar a mim mesmo.
publicado por diariodeumfrustrado às 10:20
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

71

Depois de fazer breve zapping pela televisão, passei no Porto Canal e estavam a anunciar que ia começar um programa às 10h. Decidi parar e ver o programa do "Está tudo nas cartas", com a Taróloga Íris. Liguei por estar curioso sobre o que me poderia o futuro dizer. É verdade, decidi ver o que é que as cartas me reservavam para a vida sentimental.
Além de ter falado com aquele pedaço que é a Taróloga Íris (muito gira), ainda consegui saber de algumas coisas sobre a minha vida sentimental. Segundo consta, saiu-me a carta da Justiça e a do Eremita e fui aconselhado a deixar para trás preconceitos anteriores, sentimentos negativos, a desprender-me de ideias pré-concebidas e medos, e a lançar-me à aventura. É verdade, a Taróloga disse-me que eu precisava ser aventureiro e procurar situações onde possa conhecer pessoas, etc, caso contrário vou continuar com este sentimento de solidão. Disse que preciso de equilíbrio da minha vida.
Ora, tudo isto é muito fácil de dizer, mas como é que alguém de repente se desprende de ideologias e preconceitos que tenha? Não basta um estalar de dedos. Não vou começar de repente a conversar com as mulheres que por aí andam, sobretudo pela grande possibilidade de ouvir um "NÃO". Além do mais, não quero ficar conhecido como o tipo que anda por Portugal a abordar mulheres. Qualquer dia corro o risco de ficar conhecido por isso!
Como é que alguém se desprende de anos de negativismo?! É isto que as cartas não dizem... nem a Dr.ª Íris que bem me podia ajudar a combater este negativismo, quiçá num jantar comigo, numa noite de copos, etc.
publicado por diariodeumfrustrado às 11:07
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