Domingo, 31 de Agosto de 2008

247

Calhou estar reunido com a família. Conversa vai, conversa vem, e eis que o meu cunhado se sai com esta frase brilhante:

- O Rodrigo? O Rodrigo vai ficar solteiro toda a vida. Alguma vez ele vai conseguir arranjar alguém?

Eu, que sempre tenho resposta para tudo, fiquei imóvel, estático, perplexo. Foi como se tivesse levado uma valente pedrada. De repente dou por mim a pensar nesta frase e, consequentemente, no assunto. É possível que ele não ande muito longe da verdade, mas não sou um ser execrável e não acho que mereça tal destino. Mas, nos dias que correm, não sei mesmo quando (e se) algum dia encontrarei a mulher dos meus sonhos. Já lá vão três décadas e nada. Há pessoas que nascem para estarem/ficarem sozinhas e eu confesso que sou um tipo demasiado atípico para poder ter alguém.

 

P.S.: A Dr.ª I. foi de férias e creio que vou sentir bastante a sua falta.

publicado por diariodeumfrustrado às 23:30
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246

Mais "curtas" de uma breve ida a um hipermercado:

- Existe coisa mais filha da puta do que aqueles preços €6,99 ou €5,01? Eu sei que 1 cêntimo é 1 cêntimo e é dinheiro, mas esses preços não deixam de ser irritantes. Comigo entalam-se sempre, porque quando o preço acaba em x,99 exijo sempre o cêntimo de troco, mesmo quando me dizem "não tenho, posso ficar a dever?". A resposta é certa "temos duas opções: ou me dá o cêntimo, ou fico eu a dever-lhe quatro, e pago apenas x,95". Se têm estes preços, têm que ter troco. Quando a quantia acaba em x,01, nunca tenho o cêntimo para dar e ou fica a quantia certa ou vou comprar a outro lado. Não é pelo cêntimo em si, mas é pela atitude de querer jogar com a fraca psiqué do consumidor. os 6,99 querem que acreditemos que não estamos a pagar 7, mas 6 e pouco; os 7,01 querem que acreditemos que só estamos a pagar 7, quando de cêntimo em cêntimo lá vai a casa amealhando. Como esta história dos x,99 e do x,01me irrita, faço isto para irritar o "adversário" e vencê-lo pelo cansaço. Ainda há uns tempos juntei todas as moedas de 1 e 2 cêntimos que recebia destes preços "chatos" e juntei num porquinho mealheiro pouco mais de 4 euros.

- Existe coisa mais aborrecida do que sermos atendidos por gente que não valoriza o posto de trabalho que tem? Quantas e quantas vezes não vou ao hiper fazer compras e quem me atende nem os bons dias dá? Alguns não só não dão os bons dias como ainda colocam a cara número 25, aquela cara que é um misto de enjôo e fúria, como quem se pudesse assaltava o posto de trabalho, matava o patrão e fugiria para bem longe! O que é que os funcionários fazem hoje em dia num hipermercado? Passam as nossas compras pelo leitor de códigos de barra, metem as coisas para o lado, atiram-nos com um saco de modo a que sejamos nós a embalar os bens, mandam-nos inserir o MB no terminal, mandam-nos marcar o código pessoal e retirar o cartão, e, por fim, dizem o "obrigado" como quem diz "vai-te fo**r e não voltes cá mais". Confesso que ando a evitar as máquinas de pagamento automático, porque sou um idealista que acredita que se for sempre às caixas com funcionários está a salvar um posto de trabalho, etc, mas começo a ver que não há alternativa: se já sou eu que faço tudo sozinho e as funcionárias ainda me respondem mal de cada vez que lhes digo "vou dar-lhe um motivo para manter o seu trabalho. Vou dar-lhe o meu MB e você é que o vai inserir no terminal e retirá-lo, e eu pelo meio marco o código", então vou começar mesmo a ir para as máquinas automáticas. É que já nem sequer embalam os produtos e nem um sorriso conseguem dar! Quem devia pensar nisto de manter um posto de trabalho são as funcionárias e não eu. Eu tenho o meu posto, elas vão conseguindo aguentar o delas, até que a revolução tecnológica um dia nos privilegie com uma máquina chamada Lolita, em roupa de lycra, com uma voz caliente semelhante à da Paula ou da Cristina dos GPS da TomTom, enquanto fazemos tudo sozinhos. Já há máquinas que nos permitem fazer tudo sozinhos. Só falta que a tecnologia evolua e troco de imediato a enjoada e mal educada da Jussara ou da Firmina, pela Lolita ou pela Carmen.

- Os portugueses estão cada vez mais "porcos". Não me refiro ao cheiro ou à sujeira, mas sim ao formato físico. Não posso dizer que os portugueses estão cada vez mais gordos, porque gordura (ainda) é formosura e ainda consigo ver algumas senhoras gordinhas muito bonitas e bem feitas. Mas os portugueses estão verdadeiramente cheios, inchados, balofos, sem qualquer forma. Isto de formoso não tem nada. Uma gordurinha localizada todos nós temos, mas o que eu vejo são portugueses que não se cuidam. Estamos cheios deles onde quer que estejamos. E as crianças? Até assustam! Hoje ninguém faz exercício, ninguém sai de casa. Hoje só se enfarda até cair e deita-se no sofá e na cama. Ponto final! E o pior é que cada vez se escondem menos as verdadeiras banhas, bem cheias, fazendo questão de se as exibir. Pudera, hoje em dia os balofos tornaram-se comuns e os outrora ostracizados já se identificam com os demais cidadãos, porque o comum começa a ser ser-se balofo! Como é possível que gente com metro e meio pese o dobro do que eu peso com 1,86m? Acresce ainda que hoje enquanto esperava infinitamente no hiper via as compras dos portugueses. Chouriços, salsichas, natas, refrigerantes... cheira-me que há por aí gente que não se contenta com as centenas de quilos que tem e está a ver se explode. O corpo é elástico, mas não tanto. Ou rebenta o corpo todo, ou então rebenta o coração. Escolham!

publicado por diariodeumfrustrado às 16:40
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245

Não gosto muito de Centros Comerciais, porém há dias em que não há como fugir deles Tive que ir ao hipermercado comprar 1 (um) shampoo. Muitos portugueses guardam o fim-de-semana para fazerem as suas compras, que normalmente são imensas. Eu limitei-me a 1 (um) shampoo. Era tudo o que precisava.

Desloco-me para a caixa para poder fazer o pagamento e reparo nas longas filas. Procurei a "aparentemente menos congestionada". Por lá fiquei. As pessoas olhavam-me e viam nas minhas mãos 1 (um) shampoo. Algumas olhavam-me de lado. Outras olhavam e quando eu as fitava, desviavam o olhar com ar comprometedor. O assédio foi tal que tive que olhar bem para o único objecto que ia pagar, 1 (um) shampoo, para ver se tinha nas minhas mãos Quitoso, ou alguma embalagem de 605 forte, tal era a forma como as pessoas olhavam. Não, tinha mesmo uma embalagem da minha marca de shampoo nas mãos e o motivo para tanto olhar prendia-se muito provavelmente com o facto de estar um indivídou a pagar 1 (um) shampoo quando em no hipermercado estava praticamente toda a gente a levar até às caixas carrinhos cheios de compras. Ninguém foi capaz de dizer "só tem isso para pagar? Pode passar", antes olhavam como as pessoas hoje em dia olham de lado para os pacato e miseráveis sem abrigos que se encontram a dormir na rua, só que deviam estar a pensar "deixa lá ver se este tipo que tem este shampoo não vê que estou a olhar para ele, não vá querer passar-me à frente". Reparei até que a senhora que estava à minha frente fazia questão de se encostar ao carrinho de compras do casal que se encontrava à sua frente, não fosse eu querer aproximar-me despercebidamente e querer passar-lhe à frente. Porque são as pessoas assim?

As minhas compras num hipermercado resumem-se sempre a dois ou três objectos. Vou lá várias vezes, daí fazer compras em quantidades tão pequenas. Já não me atrevo a pedir que me deixem passar desde aquela vez em que pedi às pessoas que se encontravam numa fila que me deixassem passar para pagar, novamente, apenas um objecto, e o tipo que ia ser atendido a seguir me responde: você só tem isso, e eu tenho este carrinho todo para pagar. Se o deixar ir agora, vêm os outros todos atrás. Que "outros todos"? O hiper tem umas 30 caixas. Porque iriam todas as pessoas com dois ou três objectos querer passar-lhe à frente? Outro episódio que me dissuadiu definitivamente foi quando um amigo meu quis pagar três míseros objectos numa caixa prioritária para grávidas. Não havia nenhuma na fila, até que chegou a vez dele pagar. Apareceu uma a empurrar um carrinho de compras e decidiu querer passar à frente dele. A funcionária da caixa permitiu que isso acontecesse. É certo que era uma caixa prioritária para grávidas, mas pagar três objectos demora assim tanto tempo que a grávida tenha que passar à frente com toda a artilharia que trazia?

Insisto na pergunta: porque são as pessoas assim tão egoístas?

publicado por diariodeumfrustrado às 16:22
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244

Já aqui fiz várias referências à Dr.ª V, minha grande e verdadeira companheira de sempre. Podem dizer que ela só é companheira porque lhe pago para isso, mas não é bem assim. Tempos houve em que era um pobre miserável que passava dias inteiros a dar pontapés nas latas porque nem dinheiro tinha para comprar um jornal e a Dr.ª V. é que me ligava a pedir que fosse a uma consulta com ela, sem pagar o que quer que fosse, porque queria ver-me bem. A Dr.ª V. não se resume a capitalismo e tenho-a em elevada consideração porque sempre se preocupou, de facto, comigo!

Porém, a Dr.ª V. é perita numa especialidade da psicologia e entendeu que eu estaria a precisar de outro tipo de especialidade para conseguir compreender a minha própria vida, escavar as paredes todas que tem a "minha casa interior" e voltar a tapá-las, mas em condições, sem deixar que a "humidade" a degrade. Preciso fortalecer-me e encontrar o meu caminho, em vez de andar constantemente à deriva. Lembrou-me de uma coisa: podemos mandar as paredes abaixo e voltar a levantá-las em condições que as permitam ser sólidas, fortes e consistentes, mas a parede mestra fica lá sempre como foi gerada de origem, e o resto da arquitectónica também. Nunca vou conseguir apagar o meu passado, a minha vida, e dar um delete nas coisas menos boas, formatando-me de modo a ter um presente e um futuro imaculados e puros.

Eu aceitei o desafio e foi-me perguntado se aceitaria ser encaminhado para uma amiga e colega dela, a Dr.ª I. Comprometi-me a aceitar apenas se o primeiro contacto fosse positivo. E por primeiro contacto não quero dizer "esperar que ela me diga o que estou à espera". Por primeiro contacto refiro-me à empatia criada pela primeira impressão, pelo primeiro gesto, pelo primeiro contacto. Isso aconteceu e comecei a fazer a minha terapia. Tenho gostado bastante, e a Dr.ª I. tem-se revelado uma excelente companheira porque está lá para explicar e para ajudar, seja através de algo agradável de ouvir, seja através da forma de espinha que fica entalada na garganta.

Foi a Dr.ª I. que às tantas, ao saber da história toda com a H., me fez a seguinte questão:

- É isso que você quer mesmo?

- É! Claro! - respondi eu.

- Tem a certeza? - Insistiu.

- Tenho! Absoluta!

- Então vá para casa e pense nisso com carinho e para a semana diga-me qualquer coisa.

Ora, pensei com carinho, muito carinho mesmo. Não, não pensei no assunto com beijos, abraços e mimos. Pensei no assunto como sendo algo fundamental na minha vida que me ditará o futuro. Continuei com a certeza absoluta, mas fiquei com o medo que despoletou todas as situações que já aqui descrevi. Quando lá voltei e contei tudo, a Dr.ª I. reagiu com:

- Porque é que teve medo? Porque é que não arrisca?

- Eu quero arriscar, mas com calma. As coisas têm uma evolução, não são assim "hoje estou em casa, amanhã desapareço e não dou notícias, depois de amanhã volto como se nada tivesse acontecido". As relações devem evoluir naturalmente. Tudo tem uma sequência, ainda que a mesma não tenha lógica, mas tem sequência. Ora, eu vou mudar a minha vida 180º para ao fim de dois meses dar uma volta de mais 180º e voltar ao ponto de partida. Isso para mim é regredir, não evoluir. Por isso, acho que a H. tem que ter paciência e calma comigo. Não desisto, nem quero desistir, dela, e quero ficar com ela, mas ela no início terá que ter calma para que eu me habitue a tudo.

Este foi o resultado de ter pensado "com carinho" em tudo. A H. disse adeus, e desapareceu. Eu agora tenho a Dr.ª I. como amiga, e estou bastante satisfeito. A Dr.ª I. tem-me desarmado e feito pensar na minha vida de uma forma que nunca vi e/ou de uma forma que nunca quis ver. Após a última consulta, e depois de ter pensado "com carinho" numa série de coisas, decidi que é melhor dar tréguas ao coração durante uns tempos até conseguir encontrar o meu caminho e me conhecer melhor. Urge a necessidade de perceber se todas as relações que tive até agora não passaram de obsessão e/ou desespero, associado a um enorme azar por ter tido relações bastante atípicas, com mulheres semi-vulgares, tudo derivado a factores passados da minha vida, ou se havia mesmo um sentimento verdadeiro em todos os relacionamentos, ou apenas em alguns, associado a um enorme azar por ter tido relações bastante atípicas, com mulheres semi-vulgares.

Estou de sabática para reflectir sobre mim. Volto ao activo quando tiver pelo menos uma noção do que sou, do que preciso, do que quero e para onde vou. Ter este objectivo já não é mau. Espero cumpri-lo e ter força suficiente para isso.

publicado por diariodeumfrustrado às 10:19
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243

Ontem tive um dia muito complicado. Sabem aqueles dias em que durante as 24h só nos surgem objectos, músicas, pessoas, e outros pormenores, que nos fazem recordar da pessoa que amamos e nos partiu o coração? Já sei que a doutrina diverge quanto ao "partir o coração" e que parte dos que me lêem entendem que fui eu quem o fiz à H. e outros que estão comigo. Ainda assim, ontem tive um desses dias. A esta hora a H. já cá devia estar e ser alvo do ataque de várias situações que me lembravam da H. deixou-me completamente deprimido.

Insisto que tive hesitações, dúvidas, como se me estivesse prestes a casar e de repente questionasse se era isto que queria, ainda que o quisesse. As dúvidas passariam possivelmente com uma palavra de companheirismo e solidariedade da parte dela, tal como eu fiz relativamente a todas as dúvidas e hesitações que ela teve.

Julgava-me forte, por entender que estou com a razão, mas concluí que ter a razão não nos alivia a alma. Ok, eu tenho razão. E então? Lembram-se que o Garfield expedia constantemente a Nermal para Abu Dhabi? Pois eu também fui expedido para Abu Dhabi, mas com um selo de "não quero saber de ti" e isso magoa-me porque eu queria saber da H.. Expliquei-lhe várias vezes que não estava a desistir de nada e que queria ficar mesmo com ela, mas... o resto já vocês sabem. Acima de tudo tenho a certeza que nunca desisti de absolutamente nada. Bastavam duas frases e seis palavras: "Tem calma. Vai correr tudo bem". Mas nem a isso tive direito.

Três coisas desfazem-me o coração desde que tudo isto se passou: 1- a forma como de repente a H. se desligou de tudo e me tratou; 2- todo o desprezo e indiferença que tem manifestado desde então; 3- não há terceiro ponto. Apenas disse que havia para focar a vossa atenção nos outros dois. Como é que alguém que sente tanto amor por outra consegue maltratar alguém e nem sequer faz um esforço para tirar a história a limpo, ou para insistir, caso o outro estivesse mesmo a desistir? Creio que sempre que alguém nos "despacha", nós tentamos pelo menos saber o porquê ou pedir uma oportunidade para tentar tudo de novo, de forma diferente, não sei. Ela nem quis fazer isso. Parecia que estava à procura da oportunidade para saltar fora.

Depois é a indiferença. É preciso manifestar desprezo e indiferença como se eu realmente a tivesse despachado e tivesse maltratado ou enganado? Que lhe fiz eu além de ter mostrado um momento de fraqueza e hesitação numa hora? Eu sei que ela gostava de ver segurança, e um super-herói capaz de aguentar tudo. Mas não existem super-heróis. Existem muitos pseudo-super-heróis que mais não são do que castelos de cartas que à primeira rajada de vento desaba por completo e desaparece. Nós, seres humanos, somos isso mesmo, humanos e temos medos e fraquezas. Eu hesitei uma vez, num curto espaço de tempo. E ela não fez outra coisa senão censurar-me por isso e tratar-me como se fosse um ser humano abominável. Isto não se faz... não se faz mesmo! E eu revolto-me com isto porque sei que nunca a quis despachar, nunca a despachei, sempre estive do lado dela, e no primeiro momento em que preciso do ombro e do seu companheirismo, ela faz uma coisa destas. É injustificável e incompreensível. Até quando iria durar a máscara dela de mulher certa do que quer, amiga, companheira, parceira, que ao primeiro abano desaba e dispersa?

Ontem foi um dia muito complicado, mesmo muito complicado. Hoje não está muito melhor, mas pelo menos não está tão mau quanto ontem. Sinto-me aliviado por saber que não tenho a culpa de ter sentido uma hesitação num espaço de tempo que acabou por ser fatal, porque aquela mulher nunca manifestou qualquer companheirismo. Apenas limitou-se a dizer que não é um acessório que se usa de tempos a tempos, exigindo-me 24h por dia e certeza do que sentia. Raios... quando é que eu disse que não estava ou não queria ficar com ela?! Eu só pedi que de vez em quando "me deixasse" vir visitar a minha mãe, porque isto não é assim: eu saio de casa das pessoas, pessoas que me geraram, desapareço do mapa, e dois meses depois reapareço e digo "olá, voltei", como se estivesse num verdadeiro hotel no qual os empregados não me dizem nada. A H. foi egoísta e magoou-me. Magoou-me bastante mesmo. E não me alivia nada o facto de saber que ela me fez estas coisas todas e que eu me esforcei para ser o companheiro que toda a mulher deseja, mas que teve um momento em que se questionou e a sua "companheira" não o ajudou a encontrar resposta, censurando-o.

publicado por diariodeumfrustrado às 09:58
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

242

O automóvel é um objecto à parte de todos os outros que existem no círculo de qualquer ser humano. Uma pessoa pode ter tudo, mas se não tem um automóvel a sua existência é incompleta. Os seres humanos precisam do automóvel. Muitos precisam dele para se sentirem alguém. É o que acontece com imensa gente que vejo por aí. É incrível como um carro muda a vida e a personalidade de alguém. Uns ganham independência, outros ganham um ser novo! Há quem se reinvente com um automóvel.

Todos os dias deparo-me com cenas na estrada que me deixam boquiaberto. Vejo pessoas que quando se apanham dentro de um carro é como se entrassem numa sexta dimensão na qual se pudessem vingar de todas as frustrações e submissões a que foram sujeitas na vida. É um instrumento de vingança puro! Há gente que por trás daquele ar angelical que portam em todo o lado, quando entram no carro diabolizam-se. Só assim se explica que as únicas vezes que ouvi alguém chamar-me "filho da puta" se resumam a pessoas que conduziam carros que não aceitem ser ultrapassadas por um smart, que não aceitem que eu conduza a 50km/h na minha faixa, tranquilo e sossegado, quando têm mais duas para fazer corridas a 200km/h, que não aceitem que qualquer condutor passa da faixa do meio para a da esquerda, ou para a da direita, se acabar de ver uma placa direccional, entre outras coisas. Já cheguei a ter uma tipa que tentou espetar o seu jipe contra o meu carro duas vezes, só porque em plena fila de trânsito, com três faixas entupidas, eu quis passar da 1.ª para a 2.ª e, posteriormente, da 2.ª para a 3.ª. Ainda ontem vi o caso de um tipo que saltou do carro e começou aos murros ao capot do carro do outro só porque o outro não o queria deixar entrar na sua fila um chico-esperto fura-filas. O tipo não se deu por contente com os murros ao carro do outro e quis agredi-lo.

Vejo homens e mulheres a fazerem figuras incríveis e tento ignorar isto ouvindo a minha música, cantando e assobiando a alto e bom som como se mais nada se passasse à minha volta. Mas é impossível. Não sei que essência é que os carros portam dentro de si e transmitem aos condutores, mas de seres humanos passamos a ter verdadeiros demónios. Engraçado é que muitas dessas pessoas quando se apanham fora do carro e voltam à sua vida, é como se saíssem do transe em que haviam entrado quando entraram no carro.

Ainda assim, se há coisa pior do que um ser humano num carro, é um homem a conduzir com a mulher ao lado. Não há situação pior do que essa por, pelo menos, três motivos:

1- Tenha ou não a estrada toda só para ele, vai querer exibir-se e mostrar à mulher que o carro dele anda que se farta, nem que isso custe alguns sustos aos outros condutores e em muitos casos alguns acidentes;

2- Qualquer tentativa de entrada na sua fila, andamento abaixo dos 90km/h, etc, resultará imediatamente em sinais de luzes e numa ou outra boca com o vidro fechado para que só a mulher veja o quanto ele é macho e desafia o do outro carro e para que o outro que está no seu não oiça e não vá ajustar contas com ele. Desta forma ele acha que fica bem visto diante da mulher, ainda que eu não consiga perceber como que há mulheres que gostam destes "machalhões", e não fica sem dentes;

3- Ignora por completo coisas como os piscas laterais, limites de velocidade, traços contínuos, param para dar um beijo à mulher, entre outras coisas. Eles têm que mostrar que podem, fazem e mandam na estrada.

São assim as pessoas dentro do carro. E é por causa deste tipo de gente e por ter visto o que já vi, que ando bem armado no carro até ao primeiro dia em que um suicida tente a sua sorte comigo. Não vai ter segunda oportunidade.

publicado por diariodeumfrustrado às 23:10
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

241

Tenho recebido várias manifestações no sentido de me dizerem que não devia ter voltado atrás, devia ter arriscado, etc. Queria esclarecer que eu nunca desisti da H.. Tudo o que lhe pedi foi para que tivesse calma e paciência comigo porque iria precisar de ambas para me adaptar a uma nova fase e alteração radical na minha vida. Acresce a isto que o que me incomodava mais nem sera a mudança radical onde passaria a viver com outra pessoa, mas o ter que fazer essa mudança e ao fim de dois meses voltar para trás, para a casa da mãe. Isso é um retrocesso e dos grandes: depois de deixar tudo, subitamente voltaria a casa, para aguardar até sabe-se lá quando para que ela voltasse. Porque não mudar mesmo de vez e aí, sim, ficariamos juntos?!

Ela nunca teve uma palavra de apoio que fosse, uma palavra de confiança, ou uma demonstração de companheirismo. Veio falar-me no dinheiro que podia poupar e começou uma tremenda campanha de desprezo sobre mim e sobre a situação. Depois foi simples: como eu vi que ela estava a fugir, bastou que a H. dissesse que eu a queria despachar mas não sabia como, o que não é nada verdade. Sempre quis estar com ela, mas só lhe pedi um pouco de calma e paciência. Será pedir muito?!

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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

240

A esperança média de vida em alguns países é entre 40 a 45 anos. Isto dá que pensar, sobretudo se tivermos em conta que em Portugal a esperança média de média é quase o dobro. Imaginem-se num desses países com baixa esperança média de vida. Se ajustarmos a nossa forma de vida à esperança de vida deles, vamos ter algumas surpresas, senão vejamos: se aos 40/45 morremos, então com ano e meio de idade aprendemos a ler e a escrever, aos 4 começamos a fumar, aos 5 damos as primeiras passas na ganza, aos 7 tiramos a carta de condução e temos o dever cívico de votar, aos 11 casamos, aos 22 já devemos ir no terceiro casamento, e aos 30 reformamo-nos, onde aguardamos pelos últimos, penosos e eternos restantes 10/15 anos de vida. Imaginem como seria encontrar alguém com 47 anos. Certamente que lhe perguntaríamos: "Qual é o truque para a eternidade?". Ou se encontrassemos um amigo com 42 anos, perguntaríamos algo como "queres ficar para semente, ou quê?". E se nos encontrarmos com alguém de 25 que nos diz: "ainda me lembro de quando tinha 17 anos! Belos tempos", o que diremos nós?: "Epá... bom, bom era quando eu com 8 ia às festas da cerveja da Faculdade e me embebedava todo".

publicado por diariodeumfrustrado às 20:17
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

239

Bem, as coisas com a H. acabaram de vez. Ontem não me disse rigorosamente nada, mesmo tendo eu telefonado várias vezes. Hoje voltei a ligar e ela responde-me que me ligou e eu não atendi, preferindo dormir em vez de debater um assunto sério. Ora, ela mentiu. Mentiu porque não tinha uma única chamada no telemóvel.

A H. demonstrou desprezo, enxovalhou-me e aproveitou-se da minha boleia para ser ela a afastar-se e a fugir. Nunca lhe disse que queria desistir, até porque não queria, apenas lhe expus os meus medos e hesitações e esperava muito mais companheirismo e dedicação. O que vi foi precisamente o oposto.Isto não me surpreende. Como diz um amigo meu e tal como também eu já aqui escrevi: os cães ladram, os gatos miam, e as mulheres fazem isto.

No final de tudo aprendi que ia dar um tremendo tiro no escuro e ia espalhar-me ao comprido. Como é que eu ia conseguir viver com uma pessoa que de repente se revela desta forma?! Sinto-me aliviado. I'm back on track again... e o que é certo é que começo a gostar da vida de solteiro e de solidão. Nada como o clássico "me, myself and I". Tenho-me a mim, sem ninguém a chatear ou a aborrecer, ou a tentar enfiar-me o barrete. Estou descansado, tranquilo e posso dedicar-me totalmente a uma só causa: eu! Mas a verdade é mesmo essa: estar solteiro começa a ser demasiado bom e começo a perceber cada vez mais aqueles que se querem manter solteiros e sozinhos. Porra, as mulheres têm que ser assim tão caprichosas*?

 

* refiro-me às mulheres sabendo que os homens também são assim, mas apenas me posso referir a elas porque é delas que tenho conhecimento de causa.

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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

238

Novamente a H.. Tenho estado em silêncio, porque por vezes o segredo é a alma do negócio. Tenho feito alguns planos com a H.. Agora que deixou o companheiro há já algum tempo, começámos a planear uma vida juntos.

Tendo em conta a distância a que vivemos, tal implicará um sacrifício da parte dela em vir para Lisboa. Porém, esse sacrifício será temporário inicialmente, só ficando comigo dois meses. Depois retornará a casa e a partir do início do próximo ano voltará de vez. No entanto, com o tempo a apertar tendo em conta a nossa união, comecei a ficar com medos. Foram muitos e muitos anos a viver num determinado ambiente, sempre na casa dos pais, e, mesmo tendo a idade que tenho, não deixa de custar largar tudo de uma assentada. O pior não é o largar tudo. O pior é mesmo largar tudo de forma radical para depois voltar novamente a casa. Os meus planos iniciais seriam ir morar sozinho em Janeiro, quando tivesse a certeza que no trabalho que tenho pretendem ficar comigo. A partir daí deixaria as coisas desenrolarem-se entre mim e a H..

Esta mudança substancial dos planos altera tudo. Porém o que custa mais é deixar tudo o que tenho, até mesmo os planos iniciais que implicariam uma mudança suave e progressiva, para algo radical e que ainda por cima é temporário. Se ainda ficassemos juntos de vez, ainda vá que não vá, mesmo sabendo que a mudança iria custar de início. Mas assim que me estiver a acostumar à mudança radical na minha vida vou voltar ao ponto de partida. Que sentido faz mudar radicalmente a minha vida durante dois meses se depois vou voltar ao mesmo? Eu não tenho condições de pagar uma casa sozinho nesta altura, pelo que não terei como pagar uma renda Novembro e Dezembro. Acresce a isto que teria que arrendar por pelo menos um ano um imóvel. Ora, como é que eu me posso meter num compromisso desses se não tenho a certeza se fico no trabalho em que me encontro? E como seria enquanto a H. estivesse em Lisboa a tentar procurar emprego e algum azar me acontecesse? Quem pagaria a casa?

É nestas coisas que eu penso e que me deixam apreensivo. Contei tudo isto à H. que reagiu mal, muito mal. Respondeu-me com alguma agressividade que só me lembrei disso agora, a escassos dias de darmos este passo, que sacrificou toda a sua vida em nosso favor, etc. Dou-lhe razão na intempestividade do que lhe disse, mas tinha que desabafar com ela. Afinal, ela é a minha companheira. Se não puder contar com ela para expor os meus medos posso contar com ela para quê? Ela errou, pois deveria ter tido mais compreensão e transmitido mais segurança e confiança, como eu já fiz várias vezes relativamente aos medos e dúvidas que ela tinha. Antes preferiu atacar-me de forma agressiva, manifestando muito pouco companheirismo e evidenciando pouca compreensão. Ainda assim a "cereja no topo do bolo" veio quando ela me diz "olha, decide aí o que queres fazer, porque assim sempre posso poupar dinheiro", como quem diz "olha, ou gasto o dinheiro em ti ou compro um vison, por isso despacha-te, sff". Senti-me muito mal ao ouvir uma coisa destas! Ela resumiu, numa só frase, a nossa relação a dinheiro, ao dinheiro que ela andou a guardar para tornar tudo isto possível.

Repito: errei na altura em que lhe comuniquei os meus medos, mas há algumas semanas os mesmos não eram sentidos desta forma. Desabafei com ela e procurei alguma segurança e apoio. Ela não reagiu como eu esperava e fez-me manter os medos. Queria que as coisas se desenvolvessem normalmente, que tivessemos um período de adaptação inicial, de namoro, e que tudo surgisse aos poucos, de forma natural. Queria primeiro morar sozinho, ter esse prazer. E se ela vier mesmo para Lisboa, quero poder estar com ela, mas fazer o "desmame" ao meu ritmo, sem pressões ou obrigações. Por mais que exista sentimento, se alguma coisa correr mal como é que ficam as coisas? O mais provável é que a nossa relação comece da pior forma possível: com pressão, porque cada um sacrificou e mudou radicalmente a sua vida e não vai querer que o investimento que fez caia em saco roto, acabando nós por estarmos juntos mais por obrigação, do que por outra coisa, caso alguma coisa corra mal. Sem pressões, sem obrigações, as coisas correm melhor e de forma mais tranquila e genuína. Insisto que não faz sentido mudar radicalmente a minha vida, para daqui a dos meses voltar ao mesmo e ficar à espera mais X meses para que ela venha de vez.

publicado por diariodeumfrustrado às 22:39
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