Sábado, 27 de Dezembro de 2008

327

A minha vida mudou radicalmente desde que aconteceu o que aconteceu com a minha avó. Nunca imaginei que mudasse assim tanto. Curiosa e felizmente, encontra-se a recuperar. Mas eu encontro-me a adoecer, não fisica, mas psiquicamente. Tenho a sensação que aquela família invencível e sã a quem nunca acontecia nada e estava sempre toda a gente de perfeita saúde, subitamente se desmoronou e revelou o quão é frágil. Ciente dessa fragilidade, situação nova na vida de alguém a quem sempre ensinaram que os homens não choram, que têm que ser fortes e que não sofrem em ocasião alguma, passei a sentir-me mais humano. Se calhar demasiado.

Desde que sucedeu ter conhecimento da situação da minha avó nunca mais fui o mesmo. Dou por mim dias inteiros a fazer pesquisas na net sobre cancros (todo o tipo). Dou por mim a encontrar algum sintoma semelhante a algo que eu sinta. Repentinamente deixaram de existir gripes, constipações, dores de estômago, ansiedades, nervosismos, etc. Tudo isto é coisa do passado. Agora, para mim, só existe o cancro. Sempre que sinto uma ligeira dor de garganta, julgo ter cancro da faringe, da laringe, da traqueia ou do pulmão. Sempre que sinto uma dor de cabeça, julgo ter um tumor cerebral. Sempre que a digestão é feita de uma forma difícil, julgo ter cancro do fígado, do pancreas, do estômago, dos intestinos. Pesquiso todos os sintomas possíveis e imaginários em busca de uma justificação para esta paranóia que de repente me passou a dominar. Tenho a sensação de querer justificar estes meus medos e receios e em vez de ficar feliz por alegadamente não ter nada, fico com a sensação que tenho algum cancro a desenvolver-se em estado inicial e ainda não foi detectado. Este é o sintoma de muita gente como eu: sempre que vamos a um médico, olhamo-lo de lado se nos diz "está tudo bem consigo, isso é só ansiedade", mas se nos diz "você tem 6 meses de vida porque o seu corpo tem x, y e z doença", então está tudo bem. É irónica e insólita esta situação, mas é verdade.

Penso imensas vezes que o que está a acontecer com a minha avó é um sinal divino como que me querendo chamar à atenção para o facto de ter que fazer exames para se descobrir alguma doença, vulgo cancro. Eu sei que é um pensamento demasiado egocêntrico da minha parte, julgar que alguma entidade divina (Deus, o Universo, ou alguma "Energia") sacrificou alguém para me dar um sinal a mim, como se fosse um género de "escolhido". A verdade é que penso isso e apesar de saber que não faz sentido nenhum nada disto que eu penso, menos sentido ainda faz ter noção disso e continuar a pensar. Sinto-me a enlouquecer.

Tenho vários exames para fazer, a meu próprio pedido. A minha médica já me disse que é bastante provável que se trate de ansiedade, mas acedeu ao meu pedido na mesma, dado que exames de rotina nunca fazem mal a ninguém. Já comecei a pensar que possivelmente aqueles exames não vão detectar rigorosamente nada, mas que isso se deve ao facto de poder ter alguma doença grave em estado inicial e não ser detectada. A continuar assim, sinto que vou passar a vida a fazer exames porque os últimos que fizer ainda não foram suficientes para me dar a resposta que por um lado pretendo afastar, mas por outro parece que é aquela que desejo no meu inconsciente.

Sinto que estou a tornar-me num género de hipocondríaco de trazer por casa, sem motivos aparentes para preocupação, com consciência disso, mas que insiste em pensar 24/7 em doenças todas elas graves. Já alterei alguns hábitos na minha vida pessoal, especialmente no tocante a alimentação: já não comia muitos fritos, agora cortei de vez; deixei de comer carnes vermelhas porque potenciam o risco de cancro do sistema digestivo; tenciono consultar uma nutricionista depois de fazer todos estes exames para me dar uma orientação alimentar que me permita ter uma vida o mais saudável possível; deixei de ver a minha série de televisão favorita (Anatomia de Grey) porque em vez de me concentrar no enredo da série, passei a identificar-me com praticamente todos os sintomas de todas as doenças que passavam na série o que me levava a ficar ainda mais ansioso; tenho tido nos últimos dias sérias dificuldades em visitar a minha avó no hospital porque sempre que lá vou encontro uma série de pessoas num estado que me faz pensar que um dia serei eu a estar ali; vou passar a frequentar algum desporto, algo que não faço há muito tempo; passei a deixar de atender o telemóvel e a enviar menos mensagens escritas e já só o atendo em alta-voz, porque li que as radiações do equipamento podem causar cancro das glândulas salivares, entre outros; etc.

No meio das alterações (muitas saudáveis) a que mais destaco é a tentativa de exercício mental que faço para esquecer tudo o que se está a passar: diversas vezes dou comigo a olhar para um espelho e a dizer "não tens doença nenhuma", "és saudável", "olha para ti: estás perfeito". Cada vez mais tenho a sensação de que estou a enlouquecer...

Tinha planos para passar a morar sozinho, mas começo a ter vontade de não sair desta casa porque me vou sentir bastante sozinho. Não tenho um único amigo que não esteja acompanhado. Das vezes em que posso estar com alguém de um dos dois grupos que tenho, ou é para ir a casas de diversão nocturna, ou então nunca podem porque estão sempre com as namoradas/mulheres. Dos dois grupos que tenho, quem quer que seja que eu convide para ir tomar um copo, jantar, ver um filme, dar uma volta, ver um jogo, ou qualquer outra coisa, nunca podem, porque estão sempre acompanhados, ou é muito caro, ou então é muito longe. Se convido alguém para fazer uma viagem comigo de 3 ou 4 dias, a preços bastante em conta, é sempre muito caro e nunca dá jeito. Curioso é que depois os veja a gastar o dobro ou o triplo em coisas para as namoradas/mulheres. Para certas situações, parece que são as únicas pessoas nas suas vidas e esquecem-se que têm amigos. Nunca ninguém pode nada e a verdade é que passo a vida sozinho ou a aproveitar migalhas de saídas em grupo com vários casais e eu ali sozinho, como de costume. Para quê sair de casa? Para me sentir mais sozinho ainda? Para me afundar mais ainda nos pensamentos que me cercam?

Acima de tudo tenho a perfeita noção que o meu verdadeiro cancro sou eu próprio e começo a estar cada vez mais próximo de me destruir. Tenho deixado de atender alguns telefonemas também porque estou constantemente ansioso e perturbado e começo a não apreciar as coisas boas que a vida tem para me dar e que sei que são muitas.

publicado por diariodeumfrustrado às 15:39
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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

326

A cada segundo que passa, tudo muda, não é verdade? Tive um sábado óptimo: a minha avó havia saído do hospital após ter sido submetida com sucesso a uma cirurgia, vi um concerto estrondoso, fui tomar um "café" com a Dr.ª I., que entretanto deixou de ser Dr.ª I. para ser só I., a minha "quase-grande-amiga", dado que por motivos que não vou aqui referir é preciso tratar de algumas coisas burocráticas para poder ser minha "grande-amiga" oficialmente (não digo "grande-amiga" entre aspas querendo dar outro significado que não o da amizade, atenção). Foi mesmo porreiro poder sair com ela, e sobretudo poder ver que provavelmente nos damos ainda melhor como amigos do que como terapeuta-paciente (e atenção, esta relação profissional era extremamente cordial). Porém posso dizer que tenho uma "quase-grande-amiga" que me compreende, de facto.

Esse dia correu de feição e tudo parecia ir no bom caminho. No trabalho soube recentemente que vou entrar para os quadros, o que é um excelente sinal, pois dei o melhor de mim e isso foi confirmado pelos meus superiores. A casa começa a aproximar-se cada vez mais. No campo amoroso a situação continua igual, mas com tanta emoção à minha volta nem tenho pensado nisso. Prefiro continuar sozinho, mas com saúde, do que acompanhado e a morrer (ainda que isto não seja uma condição sine qua non).

Hoje o que me lixou e me deitou para baixo foi perceber que a minha avó teve que voltar a ser internada para ser novamente cosida e para ver o que poderá ser um "líquido" que subitamente começou a surgir. Andei o dia todo, tal como sempre, a enrolar, na palhaçada, na diversão, no disparate, mas o que é certo é que subitamente me caiu a ficha e lembrei-me do famoso "Boys don't cry" dos The Cure, sobretudo do verso: "I tried to laugh about it, hiding the tears in my eyes, 'cause boys don't cry". Sim, já há muito tempo que não penso noutra coisa que não na possibilidade de perder uma verdadeira segunda mãe que muito fez por mim e que na fase em que mais necessita de ajuda não tenho nada para lhe dar a não ser levá-la ao hospital e trazê-la para casa e a minha visita diária, ainda que nem mesmo essa consigo dar como deve ser, dado que de cada vez que a vejo naquele estado terrível e a definhar (ainda a recuperar da cirurgia) sinto algumas náuseas e vontade de desmaiar sem perceber bem o porquê. Sinto e apercebo-me do sofrimento da minha mãe e vejo que ela o tenta esconder, mas a verdade é que dou conta disso tudo. Não poder fazer nada por nenhuma delas, custa-me bastante.

Desde que soube o que a minha avó tinha os meus dias nunca mais foram os mesmos. Tenho tido bastantes dificuldades para dormir, ando muito tenso, muito nervoso, sem vontade de fazer o que quer que seja e não páro de pensar um segundo que seja na possibilidade de um dia me bater o cancro à porta. Porventura alguém sabia que em 2010 o cancro será a principal causa de morte do Ser Humano, batendo as doenças cardíacas? Tudo isto tem-me assustado bastante. Dou por mim com dificuldades em respirar, a pensar que toda a dor de estômago que tenho é cancro, a pensar que a dor de garganta que tenho é uma doença grave que me vai jogar para uma cova, etc. É muito difícil viver-se assim, mas juro que tudo faço ao meu alcance para poder vencer estes pensamentos.

O Mundo está cheio de ameaças e por mais que façamos não conseguimos estar em todas as frentes. Adorava ignorar tudo isto e viver a vida tranquilamente, mas não consigo. Às vezes gostava de ser aquele provinciano básico que mal sabe ler e escrever, que ouve muita música pimba e vai às feiras todas "porque sim", só pensa em carros, sexo e afins e nada mais o incomóda porque ele próprio é, por si só, limitado. Esses são os que sabem viver! Nós, os que habitualmente têm estudos, cultura e se dedicam a "pensar a vida", "perceber o universo", etc, esses são os ignorantes! Esses são os burros! Penso demais e isso prejudica-me! Adorava ser básico, juro que adorava. Acreditem que a vida me saberia muito melhor.

publicado por diariodeumfrustrado às 23:17
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008

325

Mais alguém teve, tal como eu, a sorte de estar ontem no Campo Pequeno para assistir a um dos melhores concertos do ano?

publicado por diariodeumfrustrado às 11:28
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

324

Não sei quanto a quem me lê, mas tenho a sensação que a Grande Lisboa está transformada num verdadeiro circo, reflexo das palhaçadas que se fazem um pouco por todo o país. Recordo-me que há uns tempos começaram por pendurar bóias vermelhas na Torre de Belém. Chamaram-lhe "arte", eu iria mais longe e chamar-lhe-ia profanação e atentado contra monumento nacional. Depois, vimos uma colcha pendurada na Ponte D. Luís, no Porto. Outra "obra" da mesma "artista" (e que rica artista saiu ela e quem permitiu que estes disparates fossem feitos). Agora temos o Natal e com ele o que de pior pode haver no nosso país. O Natal já foi aquela época festiva em que passávamos na rua e viamos espectáculos de luzes, árvores, enfim, uma decoração bem feita.

Hoje vejo um Cristo-Rei promovido pelo Natal-Samsung, uma Praça do Comércio, rodeada de caixas do mais foleiro que há, promovida pelo Natal-TMN, um Marquês de Pombal cercado de bolas também do Natal-TMN (confesso que ainda pensei se não seria nenhuma alusão histórica a algum cerco montado pelos espanhóis ao Marquês de Pombal, personificado pelas bolas miseráveis da operadora móvel), a árvore de Natal é patrocinada pelo Millennium BCP. Enfim, tudo perde identidade. No entanto, não pensem que isto é uma tendência recente. O Pai Natal só encarna um conjunto de cores vermelhas graças à Coca-Cola. A sua cor tradicional era o verde. Na década de 1930, numa acção de marketing muito bem montada para a época, vingou o modelo do Pai Natal de vermelho e até hoje ficou. Acontece que durante cerca de 70 anos todos tiveram um mínimo de dignidade e não profanaram mais nada. Agora, em pleno século XXI, lançam-se este tipo de campanhas que só me envergonham cada vez mais do meu país.

Tudo perde a sua identidade aos poucos. Recordo também o caso do futebol. Belos tempos em que tinhamos o "Campeonato Nacional da I Divisão", "II Divisão de Honra", etc. Hoje temos a Liga Sagres e a Liga Vitalis (já nem se sabe qual é que está acima de qual se não for pelos três grandes), temos a Carlsberg Cup, e a Taça de Portugal Millennium. Até os estádios já têm nomes de marcas. Insisto: tudo vai perdendo a sua identidade com o passar do tempo.

Imediatamente ponho os olhos nos adolescentes e nas crianças. Seguem este modelo de perda de identidade. Crianças e jovens são cada vez mais clones de arquétipos que vêem na televisão. São todos iguais. Não existem grupos mistos, heterogéneos, como haviam no meu e no vosso tempo. Hoje são todos iguais, oferecem-se todos às marcas e ao consumismo sem primar pela naturalidade, pela originalidade. Fica o meu conselho de Natal para todos: resistam aos modelos que vos tentam impôr. Não tenham vergonha por serem diferentes. Não se deixem envolver pelo que vos tentam vender, oferecer, impingir. Sejam genuínos. Mantenham a vossa identidade!

publicado por diariodeumfrustrado às 22:41
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

323

"Fura-filas". Quem nunca se deparou com "fura-filas"? No dia-a-dia encontramo-los um pouco por todo o lado. Se pessoalmente este fenómeno já não vinga assim tanto, dados os confrontos que se poderão gerar, é no trânsito que mais os vemos sobretudo porque o automóvel serve de carapaça, qual escudo protector, em situações de maior conflito.

Estamos numa fila de trânsito enorme e lá vêm eles a fazer corta-mato por fora e a tentarem "meter-se" onde já é impossível furar mais. Quem tem raiva destes "fura-filas"? "Eu!", "Eu!", "Eu!", dirão todos vocês. Até eu próprio digo "Euuuuuuuu!!". Porém, sou um deles. Sim, sou, e tenho raiva de "fura-filas". Quando comecei a conduzir era anjinho e enfrentava as filas até ao fim. Insurgia-me contra os "fura-filas" que insistiam em fazer em 2 minutos o trajecto que eu fazia em 40. Face à inércia em poder combater o inimigo, decidi juntar-me a eles e passei a fazer corta mato de casa para o trabalho e do trabalho para casa. São os únicos. Sei que é demais e acreditem que sinto a consciência pesada por vezes, mas recuso-me ser o tolinho idealista que pensa que a sua atitude de entalar "fura-filas" os vai entalar e fazer com que se arrependam da sua conduta, mudar de atitude e voltarem a enfrentar a fila como todos os outros fazem. Errado! Primeiro: não posso mudar o mundo. Segundo: não posso mudar mentalidades. Terceiro: serei ingénuo se acreditar que por estar a fazer a minha parte já estarei a fazer muito (até porque todos os que assim pensam são pequenas gotas face ao portuguesismo e ao nosso sistema de funcionar que não tem fim à vista). Quarto: se eu os tapar, eles tentam dez metros à frente e alguém acaba por deixá-los entrar. Quinto: por mais que barafuste, buzine e esbraceje, o outro por vezes até é capaz de levantar a mão como que agradecendo/pedindo desculpas, mas a situação não muda e ele continuará a ter furado a fila e a estar à nossa frente. Sexto: se hoje conseguir fazer com que percam alguns segundos, amanhã não me cruzarei com eles e não os conseguirei dissuadir. Sétimo: porque me hei de aborrecer com isto se não há, mesmo, nada a fazer?

Como já disse: sou "fura-filas" pelos motivos atrás referidos. Mas permitam-me acrescentar uma especificidade nos únicos dois percursos que faço: o Código de Estrada ainda não proibe o "furamento" de filas, nem o sanciona, e muito menos o faz quando estão em causa linhas de separação de faixas que não sejam contínuas. Eu sei que a minha conduta é eticamente censurável, mas enquanto não a tiver em traços contínuos, a minha consciência não pesa. Além disso páro sempre em passadeiras e em sinais vermelhos e acho que compenso desta forma a minha falha.

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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

322

Vi um vídeo do Chile no qual um cão vadio salvou outro de uma autoestrada, instantes após ter sido atropelado por um carro (quem quiser ver, clique aqui). Este video retrata a realidade dos dias de hoje: os animais são mais humanos que os seres humanos. Já há alguns dias vi uma publicidade estrangeira que mostrava um indivíduo a despir-se e a vestir-se de mulher, saíndo de seguida para a rua, ao mesmo tempo que o seu cão seguia atentamente os seus passos. e evidenciava uma alegria enorme por estar com o dono por perto. A mensagem que o vídeo passava era que os animais não se importam com aquilo que somos por mais diferentes ou estranhos que sejamos. Até onde vai o Ser Humano com a mania de olhar para as aparências? Não deveria o Ser Humano ser mais inteligente que os animais e saber seleccionar tendo em conta outros critérios que não o "diferente" ou a "imagem"? Não deveria o Ser Humano ser mais inteligente que os animais e saber largar os padrões e os preconceitos?

Continuo zangado com o mundo e com as pessoas. Quando quer, o Ser Humano consegue ser muito cruel para com os seus.

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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

321

Vi hoje a notícia que dava conta da proclamação da irmã Maria Clara como "venerável" pelo Papa Bento XVI, acrescentando que aquela se encontra a caminho da beatificação. Não sou católico, mas respeito esta confissão. Porém, custam-me a aceitar estas "promoções" póstumas que a Igreja Católica costuma fazer. O currículo da irmã Maria Clara e de outras figuras hoje beatificadas está cheio de promoções. Atingiram o topo da carreira após a morte e não vão poder gozar os privilégios. Por exemplo, como me sentiria eu se durante toda uma vida não passasse do patamar mais reles que há no meu local de trabalho? De que me valeria o reconhecimento post mortem? Nem de uma reforma melhor podia gozar! Acresce ainda que me faz confusão que um grupo de homens banhados em ouro sejam considerados "santos" face aos demais e tenham legitimidade para reconhecer "santidade" em terceiros ao mesmo tempo que apelam para que os ricos se despojem dos seus bens e ajudem os pobres. O Vaticano e as suas filiais (das quais destaco Fátima, essa verdadeira máquina que factura milhões e que devia ser nacionalizada) dão lucros astronómicos todos os anos, o Papa calça Prada, e mesmo assim ninguém é capaz de dar um pão que seja a um miserável. Isto faz-me confusão, a sério que faz.

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320

Esta situação de ter amigos relacionados intimamente com bailarinas de clubes nocturnos faz-me confusão, mas apenas num dos casos. O tipo era certinho, tinha valores e tinha sonhos e, subitamente, diz que acordou para a vida, porque andava enganado e deitou todos esses "mitos" fora. Agora, diz que nem por 5 minutos pensa no que poderá estar a fazer à namorada, ainda que acredite que ela nunca o traiu. Creio que ele está basear-se no tal princípio "trai ou serás traído". Faz-me alguma espécie lidar com ela, estarmos todos juntos e ver aquele ar de felicidade que rodeia o grupo e no fundo saber que a moça tem a cabeça enfeitada. O problema é que não posso dizer ao meu amigo para deixar a outra tipa, senão sou imediatamente acusado de ter inveja da situação em que ele está e de "não comer, nem deixar comer". Salvo melhor solução, optei por lhe dizer que com as mulheres que não estão habituadas a receber amor, carinho e gentileza (como metáfora para as stripers e prostitutas, ainda que existam milhões de mulheres nesta situação que não são nem uma coisa nem outra), o melhor é estar uma ou duas vezes com elas e depois abandonar o barco antes que elas se apeguem e não queiram largar mais.

De início ele disse-me que sim, que seria só duas vezes para tomar o gosto. Quando dei conta... já tinha perdido a noção do número de vezes em que eles estiveram juntos. Acresce que ele cometeu um erro crasso que nunca se deve cometer em "alta competição", vulgo, neste mundo de stripers, brasileiras, mulheres alucinadas, etc: começou a revelar alguns dados da sua vida e a esclarecer alguns mitos da sua história de cobertura que permitiu que ele chegasse até ela. Ele começa a crer que a tipa está de boa fé, quando todos temos a perfeita noção que ela se aproximou dele quando começou a julgar que ele tinha dinheiro. Agora a tipa envia-lhe dezenas de mensagens por dia e começa a ficar obcecada por ele. Eu avisei-o sobre continuar nesta situação. Estou para ver o dia em que ela vai querer saber onde ele trabalha (e até nem vai ser difícil descobrir isso), vai esperá-lo ao local de trabalho e, quiçá, segui-lo.

Confesso que também já tive os meus "dias de glória", mas deixei-a passar, cruzando os braços e perdendo o interesse. Não me encontro desesperado por sexo, apesar de gostar bastante de o fazer. Continuo a insistir na ideia que darmos prazer a nós próprios por vezes funciona melhor do que metermo-nos com alguém que poderá arranjar-nos problemas. Sei que algumas pessoas censuram estas fases em que por vezes nos encontramos e que nos levam a pensar "demasiado" em sexo. Prefiro fazer uma simples comparação: se a Madonna teve a sua fase "Erotika" e toda a gente gostou, porque é que eu não posso ter a minha fase "Pornografika" sem ser censurado? Tenho-a e gosto dela. Mas controlo-a. Andar a bater com a cabeça pelas paredes à procura de me montar em tudo o que mexe, não me parece ser uma solução eficaz para os meus conflitos interiores. Insisto que nem tudo se resume a sexo, apesar de tudo ir lá dar de uma forma ou de outra. Estes meus amigos bem me andam a tentar convencer a investir numa striper, mas recuso-me fazê-lo. Não tenho mesmo interesse nenhum nisso. Eu bem sei que eles começaram com aquela ambição de qualquer homem que se preze (e se algum disser que não, garanto que mente): "sacar uma striper". O problema é que depois começam a gostar da festa e "sacar a striper" começa a ser insuficiente. Há que ir mais longe e continuar a tirar prazer disso. Esquecem-se é dos problemas todos que surgirão mais tarde ou mais cedo.

A parte boa destas histórias todas é que nem consigo imaginar o número de casais que por aí andam para quem a vida parece ser um mar de rosas, e para alguns deve ser mesmo, mas lá no fundo está escondido um mundo de mentiras, ilusões e falsidades. Se quero uma relação assim? Quero estar sozinho porque a mim conheço-me, faço-me boa companhia e não conheci até hoje ninguém que estivesse à altura daquilo que eu quero partilhar com alguém. Apesar de ter fases menos boas, prefiro conhecer pessoas, sem pensar se são elas as mulheres da minha vida, apenas aproveitar uma boa amizade e se algo surgir no futuro, tudo bem. Se não surgir, não há drama. Insisto na ideia que o importante é conhecer gente positiva. Agora, ter alguém só por ter e depois andar a passar por estas situações? Não, obrigado. Mais não seja porque não consigo enganar e manter uma vida dupla cheia de jogos e caprichos.

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Domingo, 7 de Dezembro de 2008

319

Faz-me cada vez mais confusão viver neste mundo. Onde quer que vamos, com quem quer que lidemos, existe sempre um plano B para justificar incompetências, incapacidades e limitações, sem dar o braço a torcer, adensando o mistério em volta do fenómeno com que nos deparamos. Vejamos alguns que eu já tive que enfrentar:

- Técnico das águas e do gás: "temos uma fuga";

- Agentes da autoridade: "temos uma situação";

- Médicos: "trata-se de uma virose";

- Técnicos do ramo das tecnologias: "existe uma falha técnica";

- Advogados: "nunca depende só de mim, mas de outras pessoas";

- Computadores: "erro de sistema Xbnfva8@4utyvan";

- Elas: "Não sei como é que fui capaz"/"aconteceu";

- Portugueses: "é o sistema".

Já repararam que estas frases mágicas servem para tudo e mais alguma coisa e continuamos sempre na mesma sem saber bem o que é o quê e porquê?

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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

318

Conforme já afirmei aqui várias vezes, sempre tive problemas com o meu nariz. Algumas colegas (sim, normalmente eram elas) costumavam recordar-me dos defeitos que o pobre coitado tem. Apesar de no início não saber dar respostas à altura como "devias olhar-te ao espelho", "quatro olhos", "sais ao pai" ou "ferrinhos" e ficar calado, comecei a fartar-me quando as meninas escolhiam o meu nariz para me atingir (não sei se era desdém ou se era mesmo aversão ao instrumento que me permite detectar cheiros), fiquei mais esperto e os diálogos passaram a desenrolar-se da seguinte forma:

- Tu com esse nariz grande... - diziam elas.

- Não te preocupes, é PREPÚCIOnal...

Isto costumava calá-las e apesar de nenhuma ter querido confirmar se era mesmo como eu contava, o que é certo é que voltei a deixar de usar este argumento quando uma namorada minha me disse "não lhes digas isso porque elas vão querer confirmar, vão gostar e depois não te largam mais... como eu". O que é certo é que esta acabou por largar-me, mas não creio que tenha sido por perda ou ganho de "grandeza" da minha parte. Quando contava a história às seguintes, corroboravam. Sim, o meu ego disparava com isto! Por falar nisso, devia juntar todas as minhas ex-namoradas e perguntar-lhes se me diziam estas coisas só para me deixar extasiado e convencido, ou se acreditavam mesmo nisso. É que não tenho pontos de comparação. Ao contrário do que se vê nos filmes, nunca tive um grupo de amigos que gostasse de as pôr para fora para comparar tamanhos. E ainda bem que não...

publicado por diariodeumfrustrado às 21:13
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