Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

361

Dia solarengo, este. Depois de uma noite mal dormida (mais uma), tendo acordado diversas vezes (tem sido habitual nos últimos tempos), vou até à praia fazer exercício (ao menos este hábito saudável tenho). Apanhar sol é bom, fazer exercício também. Morar (temporariamente) perto da praia, ainda melhor. Mal chego à praia, a imagem do costume: famílias, casais, grupos de amigos, etc. Acentuou-se a minha deprimência. Vou para uma zona da praia ligeiramente mais isolada para fazer o meu exercício. Fiquei por lá pouco mais de meia-hora. O suficiente para ver aquele local encher-se de mais casais. Fugi.

Chegado a casa e já com banho tomado dou por mim a pensar em merda. É o costume. Olho pela janela e vejo o movimento na rua. Não é muito, mas é o suficiente para me perturbar. Vejo gente de todos os tipos: das mais básicas e tradicionais que pensam pouco nas coisas, mas vivem mais do que eu e muitos como eu todos juntos, às aparentemente mais cultas e racionais. Todas aparentam um mínimo de felicidade.

Esta minha relação com a janela e com o sol é só o culminar daquilo que é a minha vida interior: ao olhar pela janela vejo a felicidade lá fora. Tento aproximar-me desse estado a que chamam felicidade, indo para o exterior e tentando experimentar as emoções desse mundo. Lido mal com isso, sou corrido, sou atraiçoado, não sei dosear aquilo que experimento. Com o sol é igual. Todos os anos o primeiro banho de praia a sério é sinónimo de escaldão. Nos dois/três dias seguintes essa vermelhidão dá lugar ao bronze, mas o primeiro é tão certo quanto eu estar aqui a escrever estas palavras. Gosto tanto de sol, que quero consumi-lo o mais que puder. Gosto tanto de sol que quando me sinto triste e vazio prefiro nem saber que ele brilha lá fora. Isto traduzido daria qualquer coisa como "I killed the cupid in self defence".

Com o amor é precisamente a mesma coisa. Sei que é bom, sei que faz bem e que tenho muito para dar. Mas torna-se difícil dosear esse sentimento e acabo por consumir quem está comigo. Apesar de tudo se tratar de um grande defeito meu, o que é certo é que não vejo também ninguém esforçar-se para me ensinar a dosear esse sentimento. Antes oiço coisas como "psicopata", "doente", "estranho", "freak" e "aberração". Confesso que este último tarda em sair-me da cabeça.

Como disse, o grande defeito é meu. Mas ainda tenho motivos para me regozijar. Aos poucos vou limando arestas e detectando e corrigindo defeitos em mim. Vou corrigindo estes grandes que afastam toda a gente de perto de mim. Tenho uma forma de sentir especial e diferente, mas não privo ninguém da sua liberdade. Só peço compreensão e paciência, algo que muito pouca gente tem hoje em dia. Aos poucos vou lá... por mim, sozinho, como sempre, a aprender um pouco mais sobre a vida, mas vou lá.

publicado por diariodeumfrustrado às 17:22
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5 comentários:
De acriativa a 22 de Fevereiro de 2009 às 19:43
Olá!
Não acho que sejas nada daquilo que dizes, apenas porque pensas nas coisas, porque guias a tua vida como coração! Quantas vezes eu me pergunto porque não dei ouvidos ao meu coração... És uma pessoa sensível e com um coração enorme! Se a D. não o reconhece é porque não te conhece!
Primeiro aceita-te como és, olha para as tuas qualidades que é o que as pessoas nunca apontam... tu próprio o fazes apenas mostrares o que consideras defeitos e fazes com que eles se acentuem mais! Começa por ver a pessoa bonita que és, acredita em ti que todos os outros o farão a seguir.
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Olá! <BR>Não acho que sejas nada daquilo que dizes, apenas porque pensas nas coisas, porque guias a tua vida como coração! Quantas vezes eu me pergunto porque não dei ouvidos ao meu coração... És uma pessoa sensível e com um coração enorme! Se a D. não o reconhece é porque não te conhece! <BR>Primeiro aceita-te como és, olha para as tuas qualidades que é o que as pessoas nunca apontam... tu próprio o fazes apenas mostrares o que consideras defeitos e fazes com que eles se acentuem mais! Começa por ver a pessoa bonita que és, acredita em ti que todos os outros o farão a seguir. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>I've</A> been there ! Eu sei do que estou a falar! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Bjs</A> e just live !
De diariodeumfrustrado a 22 de Fevereiro de 2009 às 21:30
Sob pena de parecer que estou a querer dar ares de Bernardo Soares, mas é verdadeiramente feliz quem não pensa, apenas se limitando a viver. É horrível isto de sentir, pensar e guiar a vida com os dois juntos. São ligeiramente incompatíveis!
Como acreditar que tenho qualidades, ou que elas servem para alguma coisa, quando as que acho que tenho são desvalorizadas?
De acriativa a 22 de Fevereiro de 2009 às 22:08
Eu sei que é complicado olharmos para dentro, mas uma pessoa que sente como tu sentes, tem a melhor das qualidades, a de conseguir amar! E só quem é verdadeiramente bom pode ter esta capacidade! Podes começar por aqui, depois passas a outras com calma, com alguma paciência ;) Ao invés de olhares para o sol só qd estás contente, deixa que ele olhe para ti quando estás triste, deixa que ele te aqueça! Há lá coisa melhor que sentir o sol na nossa cara no Inverno?! O Sol está lá todos os dias para ti... e sabes porquê? porque mereces!
Bj grande
De Desbrida a 22 de Fevereiro de 2009 às 22:24
Apesar de ler o blog nunca tinha comentado e queria dizer-te que ninguém é uma aberração, todos nós somos diferentes, infelizmente há pessoas que não sabem lidar com as diferenças... leio o que escreves e para quem te lê é preocupante... a tua angústia não é indiferente e todas pessoas sentem ou já sentiram isso na pele é uma questão de saberes lidar e optimismo. É complicado, é difícil mas não é impossível... "A arte de viver também se aprende com as derrotas." Força e dá a volta por cima...
De Ana a 24 de Fevereiro de 2009 às 21:12
"Tenho uma forma de sentir especial e diferente, mas não privo ninguém da sua liberdade!"

Será isto verdade? Às vezes a palavra liberdade é complexa...

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