Quarta-feira, 11 de Março de 2009

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"Think globally, act locally" é o mote de muitos, ou pelo menos alguns dizem que é porque fica bem defender este género de pensamentos.

Resido actualmente na Grande Lisboa. Não em Lisboa cidade, mas Grande Lisboa. A diferença é abissal. Uma ponte, uma marginal, ou um autocarro que ligue os subúrbios à grande cidade, podem fazer a diferença. O provincianismo a que por vezes assistimos consegue ser gritante apenas por escassos quilómetros.

Uma das coisas que mais me aflige é ver aquele tipo de pessoas que sempre viveram na mesma localidade. Nem digo cidade, digo localidade. O avô estabeleceu-se ali, o pai conheceu ali a mãe que morava do outro lado da rua, e o tipo nasceu ali e provavelmente morrerá ali, naquele canto do mundo, onde toda a gente se conhece, onde toda a gente vai ao mesmo café, todos vão ao mesmo bar, etc. Esta situação é mais gritante quando vejo isto acontecer em pleno século XXI, com gente na faixa etária 25-35. Vejo isto acontecer por aí: gente nova, que trabalha a minutos de casa, que estudou na escola da zona, que vai ao bar ao pé de casa (ao qual por vezes chamam "discoteca"), que vai casar com algum/a vizinho/a e vai morar naquele fim do mundo, ter filhos, etc. É hereditário. Alguns há que vieram estudar para Lisboa (uh! 10/15 km de distância de casa e já quase se consideram emigrantes) ou então trabalham na capital.

Cada pessoa tem a sua visão. Muitas têm uma visão mais localizada e reduzida, fruto de diversos factores: seja pelo medo do desconhecido, do risco (?), pelo conforto que o hábito lhes cria, etc. Outras têm uma visão mais abrangente e o seu raio de visão não se reduz a 20 km2, antes vêem cidades vizinhas, países vizinhos, continentes longínquos. Integro-me nesta última categoria.

Confesso que o conforto do lar a que sempre nos habituámos nos leva a adiar a colocação em prática de todos estes planos de mudança. Também não existe nenhuma regra universal da existência humana que obrigue todo o Ser Humano a sair de casa dos pais com a idade X. Mas existem necessidades que nós mesmos vamos sentindo falta de colmatar como a nossa privacidade e o direito a ter o nosso espaço, por exemplo. Ainda assim, não digo que não à possibilidade de um dia me mudar para a Ásia ou para qualquer outro país europeu. Dou plena prioridade ao meu Portugalinho, mas não reduzo o meu raio de visão ao meu país. Aliás, em Portugal imponho mais limites do que ao estrangeiro. Não consigo estar em lugares sem vida. Não conseguiria viver nos Açores, ainda que me digam que o arquipélago seja cheio de vida. Não conseguiria viver no Algarve, que só tem vida no Verão e mesmo assim é nocturna ou então resume-se a praia (já sei que me vão dizer que é mentira, mas isso dito por quem lá mora/morou perde o significado). Não conseguiria viver no interior: o campo enerva-me e a sua calmaria mais ainda. Não conseguiria viver no Norte do país: as pessoas são tão ou mais afáveis que as do Centro/Sul, o Porto até tem alguma vida, mas o Norte deprime-me por ser tão cinzento e tão conservador. Não gosto de sítios onde o ambiente se resuma a ambientes de "copos", simplesmente porque não bebo e acho completamente absurdo beber "porque sim".

Tudo isto para dizer que Lisboa encanta-me. É a minha forma de ver e viver de forma global. Lisboa tem vida, tem dinâmica. Não sou rato do campo, nem rato de qualquer cidade. Sou de Lisboa. Gosto dos carros, gosto do reboliço, gosto de ver diariamente gente estranha. Digam o que disserem, para mim Algés, Amadora, Sacavém, Almada, por aí, são províncias! E daí para fora, ainda mais província é. Sim, eu sei que têm X, Y e Z e a qualidade de vida, bla bla bla. Para mim, qualidade de vida é viver e estar onde me sentir bem, mesmo que isso implique viver no meio da confusão e do barulho. Para mim, pensar e agir globalmente e ter qualidade de vida é... viver em Lisboa, com todos os defeitos que isso possa ter.

publicado por diariodeumfrustrado às 22:36
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6 comentários:
De Il Conte a 11 de Março de 2009 às 23:24
Lisboa é sem dúvida uma das cidades mais lindas do mundo. Também compreendo o teu pouco amor para o "All-Garve", de facto o Algarve nem é Portugal, aquilo é mouros e ingleses. No que respeita os Açores não posso dizer, nunca lá estive, devem ser lindos mas duros para viverem, acho que tens razão, ali de facto uma pessoa sente-se um bocado fora do mundo. Só não concordo com o juizo que das acerca do norte. Na minha opinião o Minho é a região mais linda de Portugal , eu por mim gostava de viver em Viana ou em Braga , se fosse Português. E depois no Minho as pessoas são mais portuguesinhas do que em Lisboa, realmente não há Português mais portuguesinho do minhoto. As mulheres são geralmente mais bonitas e simpaticas do que em Lisboa. Lisboa é uma cidade lindissima, mas a nível de gente não se pode comparar com o Minho, muito melhor a gente do norte, tem um sentido da patria mais desenvolvido, mais apego a Portugal, e depois o que tens contra os conservadores? Não me digas que és um marxista ! Ok seres frustrado, aquilo dá porque atiras simpatias femeninas e para atirar mulheres cada estrategia que funciona é boa, mas agora seres comunista...não me digas !!!
De antiego a 13 de Março de 2009 às 11:59
O minhoto é a pessoa mais comunicativa de Portugal. E uns castiços.
De Desbrida a 11 de Março de 2009 às 23:40
ainda bem que todos pensamos de forma diferente caso contrário viviamos todos na mesma zona... só não percebi a parte que falas do Norte "cinzento e conservador"?? "ambientes de copos"??? só posso afirmar que tens uma visão muito limitada do norte...talvez não conheças bem!Do resto não faço nenhum tipo de comentário porque nunca vivi nessas zonas para saber se me adaptava ou não... mas posso afirmar que estou muito bem na minha cidade lindíssima que de cinzento não tem nada...antes pelo contrário
De Gipsi a 12 de Março de 2009 às 00:37
Há quem chame a isso estabelecer laços e concordo contigo. Mais, faz confusão ver pessoas fechadas nesse mundinho " criticar outros modos de vida sem perceber que são formatados ao que consideram ser normalidade ... que azia, hurg !
De Anónimo a 12 de Março de 2009 às 16:36
A minha pilinha é maior e melhor que a tua frustrado. Você raciocina como uma criança de 5 anos, não é fascista, nem comunista, é apenas obtuso.
De Pensador Insuspeito a 14 de Março de 2009 às 12:54
Ora aqui está uma coisa em que não concordamos. Na minha perspectiva, o Norte, onde moro, e os Açores, que já tive o prazer de visitar, são as duas regiões mais bonitas do país. Concordo contigo que as pessoas no Norte podem ser mais conservadoras mas "I will survive ". De qualquer maneira, com a pessoa que ame ao meu lado, sou capaz de morar em qualquer parte do mundo, desde que não seja nos países árabes ou nos países com regimes ditatoriais, por razões óbvias...

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