Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

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Ontem vi o Jornal da Noite da SIC e mais uma vez tive uma manifestação da estupidez dos jornalistas. Com todo o respeito que lhes tenho, os jornalistas só servem para duas coisas: fazer perguntas, mas perguntas que lhes são mandadas fazer pelos respectivos superiores, ou ler o teleponto. Sempre que um jornalista abre a boca para dizer alguma coisa além das perguntas que tem para fazer, já sabemos que vem aí disparate. Os jornalistas devem ser como os computadores: programados apenas para fazerem perguntas ou para ler o teleponto!

Ontem, por exemplo, vejo o Rodrigo Guedes de Carvalho, em pleno Jornal da Noite, anunciar o caso das duas lésbicas que se querem casar. E dá o seu palpite, dizendo: "há x anos, Teresa e Lena chocaram meio país, quando anunciaram que se queriam casar". "Chocar meio país"? Então quer dizer que 50% dos portugueses são gays ou a favor do casamento gay? Que dados tem ele para dizer uma coisa destas? As televisões agora, além de contribuírem para a análise de share, etc, ainda contribuem com as sensações do telespectador? Terão as televisões algum aparelho que registe a mudança de batimento cardíaco dos teleespectadores mais sensíveis ao casamento homossexual, os quais, quando assistiram à reportagem destas duas senhoras registaram batimentos cardíacos anómalos, equivalentes ao estado de choque em que ficou, por exemplo, aquela senhora do assalto ao BES quando teve um ataque de pânico? Ou será que tudo não passa de uma tentativa de pressionar a sociedade a aceitar algo absurdo como é o casamento entre homossexuais?

Pessoalmente, afirmo desde já que sou completamente contra isto do casamento entre homossexuais e causa-me irritação ver gente estupidamente liberal que justifica todas as suas opções com um "cada um sabe de si e faz o que quiser". Se formos por esta lógica, vamos deixar que roubem, matem e violem, pois cada um sabe de si e quem quiser que se defenda... se conseguir. Uma sociedade tem regras, tem leis e por algum motivo existem. Eu sei que muitas leis são absurdas. Aliás, o nosso país vive de leis absurdas e do excesso de leis. Soube no outro dia que só ao Ministério da Educação se aplicam mais de 400 leis diferentes, sendo que mais de 3/4 delas os seus dirigentes nem sabem que estas existem! Porquê tanta lei? Porque é que existe a necessidade de produzir bárbara e massivamente diplomas legislativos em Portugal?

Felizmente este não é o caso do casamento entre homossexuais. Existem três artigos apenas para legislar esta situação. Um deles encontra-se na Constituição, lei das leis. As outras duas encontram-se no Código Civil. Vou começar pelas do Código Civil que indicam que o casamento é um negócio celebrado entre duas pessoas com o fim de constituirem família. E outra que diz expressamente que o casamento celebrado entre duas pessoas do mesmo sexo é inexistente. Nem sequer é nulo, ele é inexistente! Concordo plenamente. Dois indivíduos do mesmo sexo podem fazer parte da mesma família, aliás as minhas avós têm várias irmãs e pertencem à mesma família, mas não são a família em si. A família é criada e composta por pessoas de sexo diferente. Agora vem uma teoria para quem defende que os seres humanos são animais, ainda que racionais: se colocarem dez cães num local com dez cadelas, os cães vão procurar as cadelas e vice-versa, e não vão procurar os elementos do mesmo género. Os animais fazem isto com o intuito de acasalarem. Se algum tentar atacar outro do mesmo género, normalmente esse escurraça-o. Nós, enquanto animais, ou temos perturbações mentais e hormonais, ou vamos procurar seres humanos de género diverso do nosso.

A Constituição diz que ninguém pode ser prejudicado em razão da idade, sexo, religião, ou tendência sexual. Concordo. Tanto homossexuais quanto heterossexuais devem ter o mesmo direito de acesso ao trabalho, à segurança social, ao ensino, etc. Mas deve ser-lhes vedado o acesso a instrumentos só por si criados para certos tipos de pessoa. Eu dou um exemplo: não sou machista e sou favorável à igualdade de oportunidades. Mas existem certos empregos que se encontram vedados às mulheres porque só podem e devem ser executados por homens. Existem trabalhos com elementos químicos, por exemplo, que se encontram vedados às mulheres, porque se estas o executarem poderão correr o risco de ficarem estéreis, enquanto os homens não. Os sexos são diferentes e têm genes diferentes. Por mais que digam que homem e mulher são iguais, estes nunca o serão! Existem tarefas também que as mulheres, dada a sua compleição física, executam com menor eficácia e dificuldade. Um peito ou um quadril podem fazer a diferença. Caso contrário, porque é que no desporto não misturam homens e mulheres uns contra os outros? Porque os homens têm um desempenho e as mulheres outro, por mais profissionais que sejam. Existem também trabalhos que as mulheres executam melhor que os homens e que os homens não conseguem corresponder da mesma forma.

Dou mais um exemplo: se ninguém deve ser prejudicado em razão da idade, sexo, religião ou tendência sexual, porque é que se num sítio público a casa-de-banho dos homens estiver cheia e a das mulheres com muito menos pessoas, eu não posso entrar na casa-de-banho feminina? Porque é que se um balneário masculino estiver cheio e o feminino praticamente vazio, eu não posso ir para o balneário feminino vestir-me, mudar de roupa e tomar banho? Ora, devo eu ser prejudicado por ser homem e ter que esperar horas para poder fazer a minha vida tranquilamente? Porque é que não posso trabalhar numa loja de lingerie e ajudar as senhoras a experimentar roupa? O que é que me distingue das mulheres?, é a pergunta que faço a quem defende radicalmente que ninguém deve ser prejudicado em razão da idade, sexo, religião ou tendência sexual. Porque é que os seguranças não podem fazer revista em pessoas de sexo diferente? Afinal há ou não há diferenças entre os dois sexos?

Existem direitos que se encontram vedados pela natureza humana das pessoas. Eu, quando tinha 10 anos, não podia entrar em bordéis, discotecas ou casinos. E ninguém fala em inconstitucionalidade das normas que vedam o acesso de menores a certos locais porquê? Então não diz a Constituição que ninguém pode ser prejudicado em função da "idade"? A Constituição consagra esse direito à igualdade de forma geral, salvaguardando casos que, pela sua natureza, devam ser excepcionados. Um deles é o do direito ao casamento, instituto criado para os heterossexuais na Antiguidade, como forma de obrigar os homens que faziam filhos por todos os cantos a vincularem-se às respectivas mulheres, trazendo direitos e deveres mútuos. Foi assim que surgiu o instituto da Família. Até então as mulheres eram meros objectos reprodução que também davam prazer aos homens. O Casamento foi criado para os heterossexuais e qualquer homossexual que pretenda beneficiar dele entra no chamado "abuso de Direito": pois a todos é reconhecido o direito a casar, mas não com pessoas do mesmo género. A tal Teresa pode casar com o Paulo, com o Rui, com o Nuno, etc. Ninguém a proibe disso. Ela pode gostar de mulheres, mas mesmo assim ninguém a impede de se casar com um homem. Ela é lésbica, tem uma tendência sexual diversa da da maioria da sociedade, e pode casar-se, a diferença é que só o pode fazer com um homem. Aquilo que a Teresa não pode fazer é casar-se com a Lena, com a Paula, com a Maria e com a Joana.

As contas são simples: ninguém pode ser discriminado em função de sexo, idade, religião ou tendência sexual, e aí concordamos todos. Mas existem institutos que são feitos só para mulheres ou só para homens, outros só para crianças ou só para adultos e outros feitos só para homossexuais ou heterossexuais. E o casamento foi feito para heterossexuais. Se quiserem, os homossexuais podem ter acesso à união de facto e até podem realizar cerimónia. Mas acabem com esta birra de quererem ser como heterossexuais, porque não o são. E essa diferença vê-se logo na tendência sexual. Não se pode tratar de forma igual o que é diferente.

publicado por diariodeumfrustrado às 10:40
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