Sábado, 8 de Junho de 2013

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É incrível a quantidade de pessoas que eu conhecia ou que eram próximas de alguém que me é próximo e que faleceram recentemente. Os motivos são os mais diversos: cancro, problemas cardíacos, acidentes de viação. Há gente de todas as idades. Ver o drama das famílias é o que mais custa. Acredito que tenha sido por saber que a minha família ficaria neste estado lastimável que nunca consegui arranjar coragem suficiente para deitar fora a minha vida, por menos valiosa que seja para mim.

 

Ao mesmo tempo, penso sobre o valor da vida humana. Nas Américas não vale nada - nem mesmo nos EUA, onde os westerns ainda são o espelho de uma sociedade. Em África depende do grau de afinidade étnica que se tenha com a vítima. Na Ásia varia em função da importância social que se tenha. Na Europa o cenário já é mais diversificado, dependendo do impacto dado pelos média.

 

Mas quanto vale uma vida humana? Hoje temos uma agenda cheia de planos. Amanhã fica tudo por concretizar e hipotecamos a vida de terceiros. Acabaram-se os momentos de felicidade, mas também os desgostos. O que virá a seguir, ninguém sabe. Gostava de saber. Sou abelhudo. Gostava de saber se valia a pena despegar-me desta vida para a seguir ter uma vida melhor. Aliás, nem peço uma vida melhor. Pedia apenas descanso eterno.

 

Estas mortes fazem-me sempre pensar no quanto perco parte da minha vida com minudências: um stress no trânsito, uma buzinadela, uma ultrapassagem mal feita por um terceiro, um mau atendimento num local de serviço ao público, uma discussão com alguém próximo por causa de pouco ou nada, etc. Estas mortes fazem-me reflectir e ser mais paciente. No fundo, acho que me torno melhor pessoa quando estou consciente do valor da vida humana: nenhum e inavaliável, pois de um momento para o outro ela desaparece sem darmos por isso.

 

Só gostava de estar permanentemente consciente da necessidade de desvalorizar as miudezas da vida e ser mais agradável para todos os que me rodeiam directa ou indirectamente. Infelizmente, por vezes não demora 10 minutos e já passou a minha falsa reflexão. E volto ao processo de perda de vida.

publicado por diariodeumfrustrado às 22:26
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