Sábado, 24 de Novembro de 2007

75

A V. era minha colega. Vimo-nos na primeira aula que tivemos juntos e trocámos olhares. Sentámo-nos lado a lado e metemos conversa um com o outro. No final, dei-lhe o meu número e começámos a trocar mensagens, etc.
A V. convidou-me para ir jantar à sua casa alguns dias depois de começarmos a falar. Aceitei. Supostamente não era um convite qualquer. Possivelmente tomei o melhor banho dos meus últimos 5 anos de vida, exageradamente falando. Pus o melhor perfume, escolhi a melhor roupa.
Ao sair de casa, passei por um mercado para comprar vinho. Já estava atrasado, porque o convite foi feito em cima da hora. Ao dirigir-me à caixa do mercado para pagar a garrafa de vinho, deparo-me com uma fila como nunca me lembro de ter visto naquele sítio. Esperei, esperei. Já estava atrasadíssimo e o tipo que estava a atender, parece que quando me vê com pressa ainda se torna mais lento. Até a dar-me o troco estava preocupado em contar demasiado as moedinhas que não interessam a ninguém. Pelos vistos a mim interessavam porque esperei que ele as contasse bem contadas para poder abandonar o local.
Fui já a correr apanhar o comboio e por cerca de dez segundos falhei-o. Esperei. Ao entrar no comboio seguinte lembrei-me que estava sem preservativos! Isto não podia acontecer! Chegando ao destino, andei às voltas para encontrar uma farmácia. Uma coisa que há aos pontapés, não havia desta vez. Se calhar até passei por uma e nem dei conta, tal era já o stress com o atraso. Finalmente encontrei uma. Mais uma fila enorme e eu a ficar mais nervoso ainda. Não sei se era mesmo azar, se era eu que já estava a ter visões, mas uma das clientes antes de mim vai para a farmácia caracterizar o que sente e sugere medicamentos. O farmacêutico ajuda-a e vai procurá-los. A farmácia não tem daqueles sistemas automáticos em que se carrega num botão e vem logo o fármaco desejado. Volta quando constata que não tem aquele medicamento. Decide consultar a senhora e volta à procura de um outro. Desta vez já tinha.
Chegou a minha vez. Peço o que quero e vou pagar. O Multibanco alegadamente funciona, mas descubro que não funciona quando começa a dar erro com o meu cartão. Mais tempo perdido. Não o aceita mesmo. Tenho que ir levantar dinheiro a um banco. Nova missão impossível: descobrir um banco. Esta nem é tão impossível porque felizmente os bancos estão espalhados em cada porta de rua. Mesmo assim ainda tive que subir a "rua da farmácia". Não tinha ninguém na fila para o ATM. Vá lá... um bocadinho de "não azar". Volto à farmácia onde o tipo estava já a atender outra senhora. Espera mais tempo. Finalmente pago.
Já ia em bastante tempo de atraso, isto meia hora depois de ter mandado a mensagem à V. a dizer "desculpa o atraso mas estou mesmo a chegar".
Parece anedótico, mas enganei-me na rua da casa dela. Desci uma rua enorme e só depois de andar bastante é que noto que algo está errado. A rua que dá acesso à rua da casa dela não é tão inclinada. Volta a subir tudo. Acerto na tal rua. Abordo uma tipa na rua para saber se estava no caminho certo. Era de noite e a tipa deve ter-se assustado com um tipo a apontar-lhe uma garrafa de vinho. Se calhar pensou que era outra coisa, mas começou a fugir e a dizer que não podia falar. Felizmente tinha mesmo acertado na rua. Entro na rua da casa dela pelo lado contrário a que devia ter entrado, ou seja: fui dar uma volta enorme para chegar a algo que podia estar mais perto.
Finalmente chego a casa dela. Em vez de um tipo perfumado, arranjado e com bom aspecto, aparece um tipo todo vermelho como se tivesse acabado de vir da maratona, quase desfraldado, a suar como um cavalo e o cheiro de perfume deve ter dado lugar a outro cheiro qualquer que nem me atrevi a tentar identificar na altura, antes que tivesse um colapso. Desfiz-me em desculpas. Tinha chegado com uma hora de atraso e cheguei no estado lastimoso em que cheguei.
Vamos iniciar o jantar e a V. mostra-me a casa. Tive acesso às divisões todas. Quando a coisa parecia estar a recuperar e a ficar como deve ser, oiço uma chave na porta. A porta abre-se e é a colega de casa dela. Supostamente ia passear e sair naquela noite, mas arrependeu-se e voltou para trás porque algo correu mal com o namorado. Precisava de apoio, atenção e ajuda da amiga. A noite acabou com os três à conversa e comigo a tentar que uma caixa de preservativos não caísse do bolso do meu casaco. Algum tempo depois voltei para casa.
Foi uma noite estranha. Engraçada (se é que isto tenha alguma graça) e diferente, mas estranha. E, para não variar, aconteceu comigo.
publicado por diariodeumfrustrado às 11:48
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