Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

392

Vi no outro dia uma teoria que expõe o porquê de existirem pessoas que cegam e desesperam numa situação minimamente adversa. Os porcos, os verdadeiros amigos do homem na medida em que são eles que nos permitem conhecer-nos a nós próprios, mostraram que o abandono precoce da amamentação pode tornar-nos seres mais tensos, nervosos e sem capacidade de reagir em condições menos favoráveis.

Aqueles que amamentam e abandonam o período de amamentação na altura devida, podem até nem ser brilhantes intelectualmente ou não terem a capacidade de fazer escolhas acertadas, mas certamente terão mais brio na análise das situações.

Isto faz a diferença e impede a precipitação!

publicado por diariodeumfrustrado às 22:23
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

391

Eu tinha uma amiga. Se há coisa que mais me enfurece é saber que tenho razão. Pode parecer absurdo, mas é verdade. Não gosto de ter razão. Não gosto de ter razão quando a minha intuição me revela uma realidade que as pessoas insistem em esconder ou quando pressinto um cenário que muitos defendem ser irreal.

Ainda há cerca de dois meses havia pressentido que a minha amiga I. já não manifestava vontade em fazer os almoços que fazia comigo. Isto não quer dizer que mostrasse falta de vontade, apenas já não a revelava. Pressenti que algo se passava por ali, sobretudo quando os contactos telefónicos começavam a ser mais escassos entre ambos.

Um dia ligou-me e aborreceu-se comigo porque eu não dizia nada. Eu sentia que a vontade dela de se manter minha amiga já se estava a esfumar e achava que aquilo que estava a querer, ainda que inconscientemente, era manter aqui um "amigo à distância" que de vez em quando logo se visse o que é que se faria. Desmentiu-me categoricamente e insurgiu-se comigo. Marcou um almoço de imediato. Ok, é bem possível que eu esteja errado, vamos fazer as pazes.

Fizemos. Dias depois teve um acidente no decorrer de uma actividade física que lhe imobilizou uma perna, mas felizmente conservou o restante. Teve que deixar de trabalhar durante algum tempo. Durante esse tempo visitei-a uma vez e contactei-a várias vezes. De vez em quando ia tendo tímidas respostas nas quais justificava o seu silêncio e desaparecimento de cena com o facto de esta situação de ficar em casa sem poder fazer grande coisa, dependendo temporariamente de terceiros para muitas outras, a deixar de tal forma mal humorada que não se acha em condições para conversar comigo. Curioso é que tenha condições para conviver com outras pessoas. Eu devo ser de tal forma especial e mesquinho que só sou merecedor de pessoas bem humoradas, não vá reagir mal!

Uma vez teve a iniciativa de me enviar um breve e-mail a dar conta do que estava a fazer. Folguei em saber que os milhares de quilómetros que nos separam não justificam uma mensagem escrita ou um telefonema (essa tecnologia que para alguns ainda tem custos astronómicos), mas um e-mail, como que fazendo-me recordar daqueles tempos em que tinhamos os penpals no Reino Unido, na Rússia ou no Japão por ser a forma mais rápida e económica de contactar alguém.

De facto, vejo aqui uma certa simbologia: a distância da I. já não se vê em km, mas possivelmente em vontade. Respondi-lhe. Mais tarde voltei a enviar mensagem e a telefonar. A última resposta recebi-a na passada sexta-feira, quase duas semanas depois de lhe ter enviado uma mensagem e, vá lá, no meu último esforço para tentar falar com alguém que simplesmente desapareceu, diz que tem muitas saudades, mas que nem um um olá se digna a dizer através de um telemóvel. Não quis ser novamente acusado de simplesmente pressentir, constatar que o cenário é desfavorável e esconder-me. Fui atrás. Corri vezes sem conta. O que tive em troca? A garantia de muitas saudades e de um contacto mas que no fundo acho que é mais uma combinação de palavras que no fim formam uma frase politicamente correcta sem qualquer conteúdo.

Se isto é amizade? Possivelmente deve ser, de acordo com os conceitos das pessoas que insistem em fazer os outros passarem por parvos só para não darem o braço a torcer e assumirem os seus erros ou as suas decisões.

Se isto é forma de se tratar alguém que sempre deu o seu melhor e de quem se sabe que muito sem sofrido na sua vida à conta das amizades, dos amores e outro género de relações? Se calhar é. Afinal, o único aqui incomodado sou eu.

Se me chateia a hipocrisia e o politicamente correcto só para não dar o braço a torcer? O errado sou eu, que devia responder da mesma forma, dizer que tinha muitas saudades e quando nos vissemos estava tudo bem como se nada tivesse acontecido. Infelizmente, ainda não consigo. Estou a anos luz de aprender a conviver com este mundo que me é cada vez mais estranho e me fazem sentir que estou numa terra completamente estranha. Não sei agir com pessoas que dizem uma coisa e fazem outra, apesar de ser o normal.

Se estou contente por constatar que afinal tinha razão mesmo quando se aborreceram comigo e me fizeram sentir mal por algo em que... afinal se comprova hoje que tenho razão? Não, não estou. Tenho que deixar de ser parvo e continuar a acreditar cada vez menos no que os outros me dizem, ainda que essa seja uma das pessoas de quem mais gostamos.

Eu tinha uma amiga, ou julgava que tinha, que se dava comigo, tinha algumas afinidades comigo e tinhamos momentos que me eram importantes para poder acreditar que afinal existe gente que me compreende e que até consegue gostar de mim assim mesmo como sou. Estou magoado, desiludido e agora sou eu quem está com uma neura de todo o tamanho ao ponto de não ter capacidade ou vontade para contactar com quem me faz este tipo de coisas. Afinal, descubro que apenas simpatizavamos e tinhamos algumas coisas em comum, mas não chegámos a ser amigos. Se fossemos, a relação não estaria dependente de neuras, nem ninguém seria negligenciado.

Eu sinto que a água está a escaldar, mas insistem em dizer-me que está morna e é isso que me faz sentir, cada vez mais, que não estou apto para conviver com as pessoas deste mundo.

publicado por diariodeumfrustrado às 09:35
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

390

Li ontem a entrevista a Paula Rego na revista Pública. Lá, a pintora dizia que sempre teve alguém a motivá-la a avançar e a arriscar, sem qualquer medo. Exemplificou as suas palavras com a recordação de um episódio. Quando era pequena, as pessoas insistiam para que subisse a uma mesa e cantasse. Insistiam e a pequena nada. O seu avô conseguiu convencê-la a subir à mesa e a cantar perante um público suficientemente numeroso para atemorizar uma criança. Subiu e cantou. Adorou.

Tal como Paula Rego, também eu concluo que o que faz falta em muitos momentos da nossa vida é ter alguém que, em vez de nos reprimir e desincentivar, nos diga "sobe e canta". Se muita gente soubesse a diferença que isto pode fazer na vida de uma criança quando ela for um dia adulta...

publicado por diariodeumfrustrado às 20:17
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