Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

308 ou 305.2 (fica ao gosto de cada um)

Re-superei-me! Decidi voltar à carga. Estava de facto interessado em conhecer a P. e não podia morrer com o "e se...". Nunca na minha vida conheci alguém através deste método. Nunca tive coragem de o fazer, nem sequer perfil.

Os meus óculos voltaram a estragar-se. Raio dos óculos que se estragam tantas vezes em tão poucos dias. Numa dessas vezes ela estava com um cliente, mas sorriu e acenou-me. Mais tarde cruzei-me com ela fora da loja, ela sorriu novamente e cumprimentou-me. Posso estar a alucinar, mas decidi ver isto como um sinal divino. Tinha que arriscar. Na última vez em que arranjei os óculos, vi que seguidamente ela saiu da loja. Era agora ou nunca. Cruzei-me com ela, pedi-lhe que parasse, corei de vergonha porque nunca havia feito tal coisa e a conversa que se desenvolveu foi qualquer coisa como isto:

- hhlgsfowept - grunhi eu de tão nervoso que estava.

- Desculpe? Tem que falar mais alto... - Respondeu ela.

- Desculpe mandá-la parar mas queria saber se desta vez a podia convidar para tomar um café.

- Bem, isto é complicado porque você é cliente da loja... mas ok, pode ser!

- Pode?! - respondi eu estupefacto.

- Pode!

Delirei. A conversa desenvolveu-se um pouco mais, mas foi muito curta. Fiquei com o número dela e dei sinais de vida cerca de duas horas mais tarde. Conversámos, trocámos impressões e saímos juntos. Estivemos algumas horas juntos e gostei do tempo que passei com ela. Creio ter sido mútuo.

Gostei mesmo muito da pessoa que conheci. É uma pessoa com alguns problemas na sua vida, mas nenhum relacionado com filhos, amantes, ex-maridos, ex-namorados, assassinos, ladrões, violadores, etc. Os seus problemas são outros. Não quis colocar expectativas no facto de a ter conhecido mas hoje, dias depois de o ter feito, posso dizer mais a frio que conheci uma pessoa com um interior fabuloso, puro, bom, doce. Temos muitas situações de vida semelhantes e até a mesma idade. Destaco ainda o facto de tanto tormento que ela já teve que enfrentar hoje fazer dela uma pessoa distraída com tudo. Ninguém comanda isto. As coisas passam a ser assim porque sim, porque a pessoa sofre tanto e enfrenta tanta dor que aquilo que para o comum mortal é um grande problema, para ela torna-se algo relativo. Eu tive oportunidade de ver isso. Dá para ver que se encontra desligada do mundo e desmotivada com a vida apesar de se fazer de forte. É muito sensível, mas um exemplo de luta e resistência. Fiquei fascinado com a pessoa que conheci. Conheci uma mulher que ama música e vê, entende e interpreta a música tal como eu. Fantástico! Conheci uma mulher que me deu esperança no Ser Humano. Conheci uma mulher com bom fundo, honesta, transparente, fiel e sincera. Consegui ver isso em muito pouco tempo, sim. Fiquei extasiado com o que vi. Por isso ficámos tantas horas juntos naquela noite a conversar. Estava a dar-me bastante gozo conhecer uma mulher assim.

Nem tudo são rosas. Reparei desde o início que ela nunca me fez uma pergunta que fosse sobre a minha pessoa, como se não lhe importasse saber sobre mim. Reparei ainda que sempre que eu tentava falar de mim ela concentrava-se noutras coisas como uma televisão, ou outra coisa qualquer. Ela simplesmente desligava, como se não quisesse saber. Reparei, por fim, que se não for eu a mandar-lhe uma mensagem, a dar um sinal de vida, ela não o faz. Ora, juntando isto tudo posso dizer que se não for eu a agitar as águas, o mar permanece morto e o barco não anda. Ela não reage a rigorosamente nada, nem tem interesse pelo que está relacionado comigo. Isso incomoda-me. Já lhe dei bastantes sinais de vida, já puxei por ela, e... nada. Reage, mas depois pára. Acho que não há interesse da parte dela como há do meu e vou deixá-la em paz. Se algum dia quiser dizer alguma coisa, que diga. Não vou ser sempre eu a insistir.

Apesar deste último parágrafo, tenho a dizer a todos os que não acreditam no Ser Humano, na bondade, nas pessoas "de jeito", etc, que devem manter a esperança. Ela não errou comigo ao não dar sinais de interesse. Ela não é obrigada a sentir-se interessada por mim. Ela não criou expectativas, não mentiu, não enganou, não iludiu e não é obrigada a dar sinais de vida se não quiser dar. Ora, quando as duas pessoas dão o que sentem que devem dar, ninguém erra, sobretudo quando não há infantilidade ou capricho pelo meio. Acontece. São acidentes de percurso. O Super Mário não encontrou a Princesa à primeira. Teve que passar muitos níveis. Eu não ando à procura de Princesa, mas se ela surgir, luto por ela. Neste caso acontece: ela não sentiu interesse. Ok, a vida continua. Não fico com tristeza ou com mágoa dela. Pelo contrário: cumpri os objectivos mínimos a que me propus: superei-me e consegui conhecer alguém através de um método que nunca utilizei e desmistifiquei mitos dado que é possível conhecer gente que vale a pena através destes meios mais "descarados". Isso dá-me esperança para o futuro. Sei que sou falhado, sei que sou frustrado e que não tenho ponta por onde se lhe pegue, mas tenho futuro. Onde e como quer que seja, ainda não sei, mas um dia saberei. Espero que isto sirva de lição para todos aqueles que se julgam incapazes de mudar a sua vida por qualquer característica ou passado que tenham. Acreditem que mais limitado e bloqueado do que eu (ainda) sou, não há. Superem-se! Experimentem! Vão ver a sensação de gozo que têm ao ver que se conseguem superar e deixar para trás anos de mitos e preconceitos. Aos demais, volto a dizer: descobri que há vida em Marte. Sim, descobri que existem por aí seres humanos sensíveis, frágeis, mas sinceros, honestos, bondosos, cheios de amor para dar e puros! Acreditem, há! Eu conheci um desses raros seres num destes últimos dias. Pena o interesse não ter sido mútuo, mas não faz mal. A vida continua e continua com esperança! Já sou menos frustrado só por saber que há gente disposta a tomar cafés comigo e só por saber que existem Seres Humanos com bom fundo.

 

P.S.: Quando vinhamos a caminho de casa passou na rádio, alta madrugada, o André Sardet e a tal música em que ele diz que gosta da outra como daqui até à lua.  A dupla André & Sardet bem se esforçou, mas nenhum dos dois conseguiu estragar a boa imagem que trouxe dela naquela noite.

publicado por diariodeumfrustrado às 22:05
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